Anoitan

“Se sempre há um amanhã, sempre há um anoitã.”

Uma Pequena Poesia Noturna

Posted by aldhabaran2 em novembro 12, 2008

Enquanto as próximas partes de A Noite Escura da Alma fermentam, deixo-vos um poema muito interessante do poeta William Ashbless. Ashbless é um personagem de Tim Powers no livro Os Portais de Anúbis. É bom lembrar que Tim foi grande amigo de Philip K. Dick, e a ele dedicou uma dupla de personagens em uma de suas obras – a saber, Phil e Jane, esta última a falecida irmã gêmea de Dick.  Especulo (porque não fui tirar a limpo) que A Transmigração de Timothy Archer possa ter sido uma homenagem de PKD ao amigo Tim também.

As Doze Horas da Noite

“… Percorrem os antigos, obscuros desvãos do mundo, À feição de marinheiros, antes sóbrios e sensatos, Que a um rombo em seu barco não admitem A derrota e a fuga, preferindo, em vez disso, Agarrados aos seus preciosos destroços, Com eles afundar na escuridão – onde não afundam de todo, E continuam eternamente manobrando as velas Contra as noturnas correntes das profundezas, Movendo-se de um fosso ao outro, daí ao penhasco obscuro, Buscando em desespero um caminho que os leve até a praia; E nessa viagem lenta e corrompida Terminam por perder o desejo de luz, De ar, de companhia – passando então A buscar apenas os recantos mais profundos, Aqueles mais distantes do sol quase esquecido…”

– de “As Doze Horas da Noite”

William Ashbless

“…They move in dark, old places of the world:/ Like mariners, once healthy and clear-eyed,/ Who, when their ship was holed, could not admit/ Ruin and the necessity of flight,/ But chose instead to ride their cherished wreck/ Down into darkness; there not quite to drown,/ But ever on continue plying sails/ Against the midnight currents of the dephts,/ Moving for pit to pit to lightless crag/ In hopeless search for some ascent to shore;/ And who, in their decayed, slow voyaging/ Do presently lose all desire for light/ And air and living company – from here/ Their search is only for the deepest groves,/ Those farthest from the nigh-forgotten sun…”

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5 Respostas to “Uma Pequena Poesia Noturna”

  1. maelstrom5 said

    Li e gostei deste livro, mas eu ainda prefiro o “Palácio dos Pervertidos”, do mesmo autor. Obra-prima.

  2. luramos said

    e mais uma vez o mar, a grande representacao do inconsciente e a beleza da poesia ao falar da escuridao desta viagem.

    eu, convido todo mundo, a proxima vez que forem a praia , a darem um mergulho bem fundo e ficarem um pouco lah dentro do mar, naquela imensidao, escuridao e silencio. Varios mergulhos, literalmente no inconsciente, macro e micro, em cima e abaixo.

    Funciona que eh uma beleza…rs

    by the way, na Umbanda aprendi que os marinheiros sao mensageiros do inconsciente para o consciente. Eles sao uma energia bem terrena, masculina, elos de conexao com o mar, o inconsciente e feminino. Bonito neh?

    Ashbless nao era macumbeiro mas jah sabia disso…rs As correspondencias entre as mais diversas sabedorias me enchem de alegria, dah a sensacao que estamos todos no caminho certo.

  3. Lamed said

    Engraçado, Gideon, comigo é o contrário: eu gostei do Palácio dos Pervertidos mas, como bom ariano, prefiro o ritmo frenético do Portais de Anúbis.

    Por sinal, bela lembrança, Aldhabaran!

    Outro autor que homenageia o PKD nomeando seus personagens como Jane e Phil é o Matt Ruff em Macacos Malvados.

    Quanto à Transmigração de Timothy Archer, pode ser que o nome do personagem seja uma vênia ao Tim Powers, mas o personagem em si foi inspirado em outro amigo do Dick (ops!), o controverso bispo anglicano James A. Pike, que desapareceu no deserto de Israel quando procurava provas de que os primeiros cristãos consumiam Amanita muscaria em seus rituais…

    Abs.
    L.

  4. Lamed said

    Luiza, muitos anos atrás, nos bons tempos em que a Planeta ainda era em formatinho, saiu uma edição especial sobre o Jung em que um dos artigos era uma interpretação junguiana dos mitos de Iemanjá, especialmente sobre a relação dos marinheiros com ela.

  5. luramos said

    vc sabe em que livro do Jung encontro isso?

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