Anoitan

“Se sempre há um amanhã, sempre há um anoitã.”

Para aqueles que procuram seu próprio caminho

Posted by Andrei Puntel em outubro 9, 2008

Insiste em ti mesmo; nunca imites. A todo o momento, podes exibir o teu próprio dom com a força cumulativa de toda uma vida de estudo; mas do talento imitado de outro tens apenas posse parcial e momentânea. Aquilo que cada um sabe fazer de melhor só pode ser ensinado por quem o faz. Onde está o mestre que pudesse ter ensinado Shakespeare? Onde está o mestre que pudesse ter instruído Franklin, ou Washington, ou Bacon, ou Newton? Todo o grande homem é único.

Ralph Waldo Emerson, in “Essays”

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8 Respostas to “Para aqueles que procuram seu próprio caminho”

  1. malprg said

    Emerson é mesmo um puta autor. Cada vez que eu tropeço numa frase dele, juro pra mim mesmo que um dia vou ler os Ensaios de cabo a rabo. E o nosso “coletivo” não podia ter encontrado uma apresentação mais adequada.

    Abs.
    L.

  2. luramos said

    Todo homem eh unico. E a sua Verdadeira Vontade eh o que lhe confere essa particularidade.
    Mas fico a me perguntar o que acontece com aqueles que nao experienciam nada de unico, seja pela inconsciencia ou pela dificuldade da busca da Verdadeira Vontade.

  3. malprg said

    Não tenho muita certeza se existe alguém que não experimenta realmente NADA de único. O cabra pode não perceber, pode ter sido programado e se programar pra não dar importância, mas que a essência dele tá lá, tá. Em todo caso, quanto menos contato ele tem com ela, mais se identifica com a persona, a imagem e o papel sociais, o homem externo, que vive por, para e pelos ideais coletivos. É o que o Jung chamava de “homem-massa” e o que o Nietzsche descrevia como mentalidade de rebanho.

    Abs.
    L.

  4. adriret said

    Nunca li Emerson, mas gostei do texto.

    Passei aqui pra dizer que estou lendo tudo, mas realmente sem tempo de escrever algo (estou mudando sabado, e empacotando tudo aqui em casa, depois tenho que colocar tudo no lugar, hehehe).

    Vou poder participar melhor semana que vem.

    Tambem ainda nao instalou internet no novo endereco e, talvez eu fique ausente uns dias.

    Peco desculpas por isso jah logo no inicio do blog, mas prometo que depois que passar, vou estar mais presente. :))

    Lucio, me desculpe a intromissao, e tambem nao eh da minha conta; mas jah que Malprg morreu, talvez nao seria melhor mudar o nick Malprg. 😉

    abs
    Adi

  5. malprg said

    Adi, a minha intenção é essa, mas ainda não “bateu” um nick novo decente. Enquanto isso, eu continuo usando a casca do Malprg. 🙂

    Abs.
    L.

  6. andreisc said

    autor: sem mais

    Vinda do Franco-Atirador e ainda não entendendo muito bem como funciona esse espaço, mas disposta a participar dele, pois em qual outro lugar encontraria pessoas igualmente interessadas em refletirem a respeito das mesmas grandes (e pequenas) questões, as quais também tenho debatido?

    Nietzsche diz que somos uma corda sobre o abismo, Malprg (enquanto seu outro nick não vem) de que somos a não-dualidade, e eu, em outras palavras, acho que é exatamente isso, somos em parte o que pensamos – imaginamos – e em parte o que fazemos. Somos essência & existência, ou mais, ainda, se olhamos em uma direção, vemos nosso outro lado atuando, mas, se nos voltamos para esse, voltamos a ver o outro… Sob essa perspectiva, semelhante a de Nietzsche e de Jung, quem somos pode ser apenas a visão de por qual lado olhamos. Somos então mistério insondável, sempre, enquanto nos vemos onde não estamos…
    Mas será que existe alguma possibilidade de um dia nos vermos face a face, como promete Saulo em Coríntios? Ou descobrir o que Buda viveu sob a figueira? E qual a dimensão do perigo, em um jogo sem espelhos e projeções, de fitarmos o abismo do nosso ser? Da psicanálise nos vem essa necessidade do espelho, não apenas como proteção contra a Górgona (o mito do horror), mas também a necessidade do outro, em quem nos projetamos – nos espelhamos, para através dele descobrirmos (em parte) quem somos.

    Acontece que um dia, é fatal, o outro nos chegará como entardecer ou noite, ou pelo menos é essa a leitura que fiz desse composto – meio palavra estado de espírito e lugar – chamado “anoitã”… peço permissão para citar Manuel Bandeira, porque quando eu li “anoitã” foi a poesia que me veio:

    “Quando a indesejada das gentes chegar
    (Não sei se dura ou caroável),
    Talvez eu tenha medo.
    Talvez sorria, ou diga:
    – Alô, iniludível!

    O meu dia foi bom, pode a noite descer.
    (A noite com os seus sortilégios).
    Encontrará lavrado o campo, a casa limpa,
    A mesa posta,
    Com cada coisa em seu lugar.”

    Falando em poesia, que ̩ outra linguagem de se falar da mesma coisa, do mist̩rio e da inquieta̤̣o do ser sem lugar, as palavras do Ralph Waldo Emerson, logo ali no come̤o, me lembraram um outro poema, mais conhecido, por̩m, ṇo menos belo por isso Рdo Ricardo Reis, um dos heter̫nimos menos brilhantes do Fernando Pessoa. Mas essa sua poesia ̩ brilhante:

    “Para ser grande, sê inteiro: nada
    Teu exagera ou exclui.
    Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
    No mínimo que fazes.
    Assim em cada lago a lua toda
    Brilha, porque alta vive.”

    Concluindo, somos em parte nossa história pessoal e em parte a história de toda a humanidade. Somos aquilo que sabemos (ou supomos saber) e também aquilo que temos potencial para descobrir. Mas, todas essas possibilidades de vir-a-ser, só ganham sentido quando na ação do laborioso fazer nosso de cada dia-a-dia…
    Tendemos a nos dar contornos – o que é bom e desejável ser um indivíduo, a chamar de “eu” a algo que imaginamos como separado do todo, mas, em última instância, não há contorno algum, somos todos parte de um único organismo, que alguns chamam Self, outros Deus e eu estou chamando universo – sem ser propriamente panteísta por isso.
    Uma das poucas certezas que tenho é de que os nossos destinos (o de cada um de nós) está selado a esse todo universal. Não vejo, de modo algum, por mais aparente que seja o nosso destino ser singular, ele desvinculado de um “objetivo” maior. Afinal a “realidade” é o Todo Universal, a Psique Objetiva de Jung, o Tao… a iluminação nada mais seria que o dar-se conta disso, ou melhor, viver em consciência junto a essa realidade, sendo essa realidade, o que é praticamente uma impossibilidade humana.
    Enfim, poesia, filosofia, psicologia, religião, espiritualidade… são todas linguagens distintas falando e buscando a mesma coisa: a unidade do homem ao universo. O paradoxo é que só temos vislumbre da totalidade sendo parciais, sendo nós quem somos em nossa pequenez e reconhecendo a singularidade de nosso único ponto de vista.

    Bom, é isso, estou por aqui lendo vcs…

  7. Tenho procurado meu próprio caminho há algum tempo. E o que tenho achado incrível é que quando começamos a jornada da busca nos deparamos com pessoas que, a princípio, parecem até anjos. Depois entendemos que são buscadores também…
    E assim que damos o primeiro passo, tudo muda. Um simples passo.
    Eu me perco muitas vezes. As vezes parece até mesmo uma batalha…
    A mente, ao primeiro sinal de “perigo” reage com tudo que pode.
    Outra coisa que percebi é que de repente nos damos conta do quebra-cabeça gigante e é gratificante pegar uma peça aqui, outra lá…ver a conexão de algo que sempre pareceu tão desconexo. Ver a parte no todo e o todo na parte…
    E, em meio a minha busca, caí aqui…através de outro blog fantástico…

    “Insiste em ti mesmo; nunca imites.”
    Muito inspirador. São frases assim e espaços como esse que inspiram, reciclam e fortalecem o espírito…para ir sempre mais fundo…

    Beijos

  8. adi said

    Oi Thaís,

    Seja bem vinda aqui no Anoitan.

    “E o que tenho achado incrível é que quando começamos a jornada da busca nos deparamos com pessoas que, a princípio, parecem até anjos. Depois entendemos que são buscadores também…”

    Apesar de o caminhar ser individual, e termos que caminhar com nossas próprias pernas, é tão bom saber que não estamos sozinhas nessa busca, que há outros tantos buscadores como nós, porque há momentos nesse caminhar que sentimos uma profunda solidão, não é fácil seguir adiante.

    “As vezes parece até mesmo uma batalha…”

    E é uma batalha, só que com a gente mesmo.

    “E, em meio a minha busca, caí aqui…através de outro blog fantástico…”

    Que bom que você gostou. 😉

    beijos
    adi

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