Um dos principais intrumentos na prática de magia e ritualística dos xamãs é o tambor. Segundo Mircea Elíade, o simbolismo do tambor é complexo e suas funções mágicas são múltiplas. O tambor é indispensável durante o ritual, seja por levar o xamã para o “centro do mundo”, por permitir que ele voe pelos ares, por chamar e aprisionar os espíritos, seja, enfim, porque a tomborilada permite que o xamã se concentre e restabeleça o contato com o mundo espiritual que está prestes a percorrer.
Tanto a caixa quanto a pele do tambor constituem instrumento mágico-religiosos, pois a escolha da madeira/árvore com a qual será fabricada a caixa do tambor depende dos “espíritos”, ou de uma vontade trans-humana. Esse costume da árvore ser escolhida pelos espíritos sugere que a árvore concreta foi transformada pela revelação espiritual e que, na realidade, deixou de ser uma árvore profana e passou a representar a própria Árvore do Mundo. A membrana de pele do tambor dos xamãs siberianos normalmente é de rena, alce ou cavalo e representa o espírito do animal primordial que é a origem de sua tribo, portanto, é seu espírito auxiliar mais poderoso e quando penetra no xamã, este se transforma no animal mítico teriomórfico.
Em diversas tradições, o ancestral mítico teriomórfico vive no mundo subterrâneo, perto da raiz da Árvore Cósmica, cujo topo atinge o céu. Por um lado, o xamã ao tocar seu tambor, voa em direção à Árvore Cósmica, e devido a isso, o tambor contém muitos símbolos ascencionais. Também, devido suas relações místicas com a pele do tambor, o xamã consegue compartilhar da natureza do ancestral teriomórfico, ou seja, consegue abolir o tempo e recuperar a condição original de que falam os mitos.Tanto num caso como no outro, estamos diante de uma experiência mística que permiter ao xamã transcender o tempo e o espaço. A metamorfose em animal ancestral e o êxtase ascensional são expressões diferentes, porém equiparáveis, de uma mesma experiência, a transcendência da condição profana, a recuperação de uma existência paradisíaca perdida no final dos tempos míticos. Leia o resto deste post »



