Anoitan

“Se sempre há um amanhã, sempre há um anoitã.”

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Resolução de Ano Novo

Publicado por adi em janeiro 26, 2012

Voltando… final de férias, bateria recarregada de sol e calor, já nem estou achando tão frio aqui :) . Brincadeirinha, é frio demais o inverno russo, mas é muito bonito ver tudo branquinho, branquinho.

E passou tão rápido, já estamos em 2012, quase Fevereiro. Por falar em 2012, lendo o comentário do Atoledo, me lembrei que nessa passagem de ano pratiquei um pequeno ritual que há muito não dava crédito. Anos atrás, na virada do ano, costumava praticar um ritual endereçado ao Conselho Cármico… aquelas coisas dos pedidos e etc. Bom, a gente muda, as crenças mudam, e pra mim, não fazia mais o menor sentido continuar  praticando algo que perdeu valor. Por esse motivo parei!

Bem resumidamente, o ritual consistia em escrever a lápis ou grafite numa folha de papel de seda, como se fosse uma carta, endereçada ao Conselho Cármico, com os pedidos de sua projeção para o próximo ano, dobrar a folha, e na virada do ano jogar o papel dobrado ao fogo. Durante todo esse processo é importante a visualização da coisa acontecendo. Tem gente que prefere imaginar o ritual acontecendo com a presença dos Senhores do Carma, tem gente que prefere a visualização dos pedidos se realizando, e aí vai do gosto do freguês, porque o importante dos rituais é, antes de mais nada, uma encenação que tem como intuito abrir as portas da percepção e levar ao contato real arquetípico, e nesse sentido, a imaginação se utiliza de elementos que tem o poder de afetar o indivíduo, por isso a experiência é totalmente pessoal. Leia o resto deste post »

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O demônio são os outros

Publicado por adi em abril 26, 2011

Antes de mais nada,  minha intenção com esse post não é uma crítica sobre a crítica, nem aos blogs que escrevem posts criticando outras posturas, críticas sempre fizeram parte do amadurecimento e crescimento do ser, mas é uma crítica à forma como a própria crítica é expressada nos “comentários” principalmente, de forma “agressiva e violenta” gratuitamente e sem necessidade.

Há vários debates e diálogos na internet, onde todos podem expor suas opiniões, e o que mais percebemos nos comentários são principalmente muitas críticas pejorativas. Nos blogs que participo normalmente as críticas  são sobre espiritualidade e religião, mas em outros blogs as críticas se estendem pelos mais diversos assuntos, desde que haja essa possibilidade de se comentar sobre alguma coisa ou sobre alguma pessoa.

E eu acho muito natural que cada um dialogue sobre os próprios conceitos e também sobre outros conceitos, como uma forma de autoconhecimento até.  É uma forma bacana de rever, de expandir horizontes, limites e fronteiras. Acho que muitas pessoas gostam bastante de conversar sobre esses assuntos metafísicos e espirituais, e mais ainda, apreciam um bom diálogo, não necessariamente uma concordância, na verdade  acho muito mais proveitoso quando surgem pontos divergentes e podemos expor essas questões, sem a necessidade de certezas absolutas e tentar compreender que se o seu conceito ou conceito do outro servir ótimo e obrigado, se não servir, a amizade é a mesma.

Mas o que eu acho totalmente desnecessário num debate ou diálogo, ou na maneira de expor uma opinião, é a forma como as pessoas acabam tentando impor sua própria realidade como se fosse “a verdade unica e absoluta” com agressividade até, algumas vezes com violência totalmente gratuita. E eu não acho que violência física é diferente de violência verbal, porque não é. Muitas vezes uma agressão verbal pode ser mais violenta que uma agressão física, porque não temos acesso direto ao “outro”  interlocutor, não o conhecemos, muito menos conhecemos seus limites. Leia o resto deste post »

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Viagem

Publicado por adi em agosto 6, 2010

Eu estava sumida, né? É que estava viajando, cheguei ontem completamente quebrada, principalmente porque no final da viagem fiquei super gripada, e ainda estou me recuperando com muita dificuldade. Fiquei feliz que nesse tempo renderam comentários, alguns que irei responder na medida “da sobra de tempo”, é, porque também estou cheia de afazeres pessoais.

Mas o motivo pelo qual estou aqui falando sobre “viagem”, é que acabo de voltar de Saratov/Russia. Eu e meu marido fomos conhecer a cidade onde iremos morar os próximos 4 anos.

E nesse espaço de tempo, lembrei muito do nosso amigo aqui do Anoitan, o Guto Novo, também conhecido como Timóteo Pinto, entre outros nomes. Ele indicou com entusiasmo o filme STALKER, do cineasta russo Andrei Tarkovisky, o qual já havia assistido, mas não cheguei a escrever uma resenha, pois se trata de um filme muito especial, que exige cuidado no estudo de sua simbologia, e que talvez hoje, tenha um significado pessoal até, devido essa viagem. Já comecei a resenha, e acho que semana que vem o post fica pronto. Leia o resto deste post »

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Sobre Egrégoras

Publicado por adi em maio 28, 2010

Desde o último post, venho pesquisando sobre plano astral segundo algumas tradições, e também em termos da psicologia junguiana, com o objetivo de fazer uma analogia entre elas, o que, pra minha surpresa, não é que uma coisa leva a outra, que se emenda com outra, e assim, o post mesmo sobre plano astral vai ficar mais pra frente, talvez como uma continuação deste aqui.

Uma das coisas que acho bem interessante no meio ocultista é a importância que se dá para a egrégora, ou ao grupo ao qual se pertence, e sobre os benefícios de ficar sobre a égide de tal força. Aos que buscam a total realização espiritual, tal força pode até ser um empecilho.

Mas o que são egrégoras exatamente, e como essa força pode nos ajudar ou atrapalhar em nossa caminhada?

Direto do Wikipédia:  Egrégora, ou egrégoro para outros, (do grego egrêgorein, Velar, vigiar), é como se denomina a entidade criada a partir do coletivo pertencente a uma assembléia. Segundo as doutrinas que aceitam a existência de egrégoros, estes estão presentes em todas as coletividades, sejam nas mais simples associações, ou mesmo nas assembléias religiosas, gerado pelo somatório de energias emocionais e mentais de duas ou mais pessoas, quando se reúnem com qualquer finalidade. Assim, todos os agrupamentos humanos possuem suas egrégoras características: as empresas, clubes, igrejas, famílias, partidos etc., onde as energias dos indivíduos se unem formando uma entidade (espírito) autônomo e mais poderoso (o egrégoro), capaz de realizar no mundo visível as suas aspirações transmitidas ao mundo invisível pela coletividade geradora, ou seja, sua ideologia. Em miúdos, uma egrégora participa ativamente de qualquer meio, físico ou abstrato.

Como vimos então, egrégoras são formadas pelas formas-pensamentos criadas a partir da união do mesmo pensamento em comum de uma assembléia, de um grupo, ou seja do coletivo reunido com o mesmo objetivo. Quanto mais forte e mais frequente for essa egrégora, mais força vai acumulando, se tornando uma entidade autônoma. Leia o resto deste post »

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Quem sou eu ???

Publicado por adi em maio 12, 2010

Nesta altura da vida já não sei mais quem sou….. Vejam só que dilema!!!

Na ficha da loja sou CLIENTE, no restaurante FREGUÊS, quando alugo uma casa INQUILINO, na condução PASSAGEIRO, nos correios REMETENTE, no supermercado CONSUMIDOR.

Para a Receita Federal CONTRIBUINTE, se vendo algo importado CONTRABANDISTA. Se revendo algo, sou MUAMBEIRO, se o carnê ta com o prazo vencido INADIMPLENTE, se não pago imposto SONEGADOR.

Para votar ELEITOR, mas em comícios MASSA , em viagens TURISTA , na rua caminhando PEDESTRE, se sou atropelado ACIDENTADO, no hospital PACIENTE.  Nos jornais viro VÍTIMA, se compro um livro LEITOR, se ouço rádio OUVINTE.

Para o Ibope ESPECTADOR, para apresentador de televisão TELESPECTADOR, no campo de futebol TORCEDOR.
Se sou
CORINTHIANO, SOFREDOR. Se sou SÃO PAULINO, BAMBI, palmeirense, PORCOSantista, Baleia.

Agora, já virei GALERA. Se trabalho na ANATEL , sou COLABORADOR e, quando morrer… uns dirão…. FINADO, outros ….. DEFUNTO, para outros … EXTINTO, para o povão ….PRESUNTO. Em certos círculos espiritualistas serei … DESENCARNADO, evangélicos dirão que fui ..ARREBATADO.

E o pior de tudo é que para todo governante sou apenas um IMBECIL, SEM MEMÓRIA !!! E pensar que um dia já fui mais EU. Fica no ar… Quem sou eu realmente ?

(Luis Fernando Veríssimo)

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Lição de Astronomia

Publicado por Sem em março 25, 2010

Dedicado a Sem

que gosta de Rembrandt e

de dissecar com palavras:

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Numa situação confusa, de perturbação, o que fazer?

Por favor, não faça nada. Você criou uma confusão por causa do seu fazer excessivo. Você é um tamanho fazedor, você confundiu tudo à sua volta – não somente para si mesmo, mas para os outros também. Seja um não-fazedor; isso será compaixão para consigo mesmo. Seja compassivo. Não faça nada, porque com a mente falsa, com uma mente confusa, todas as coisas se tornam mais confusas. Com uma mente confusa, é melhor esperar e não fazer nada de forma que a confusão desapareça. Ela desaparecerá; nada é permanente neste mundo. Você só precisa uma profunda paciência. Não seja apressado.

Vou lhe contar uma história. Buda estava viajando através de uma floresta. O dia estava quente. Era exatamente meio-dia e ele sentiu sede; assim, disse para seu discípulo Ananda: “Volte. No caminho, nós atravessamos um pequeno riacho. Volte lá e traga um pouco d’água para mim”.

Ananda voltou, mas o riacho era muito pequeno e algumas carroças estavam atravessando-o. A água estava agitada e tinha ficado suja. Toda a sujeira que estava assentada nele tinha vindo para cima e a água não era potável agora. Assim, Ananda pensou: “Eu tenho que voltar”. Ele voltou e disse para Buda: “Aquela água se tornou absolutamente suja e não está boa para se beber. Permita-me ir à frente. Eu sei que existe um rio a apenas alguns quilômetros de distância daqui. Eu irei e buscarei água para você”.

Buda disse: “Não! Volte ao mesmo riacho”. Como Buda tinha dito isto, Ananda tinha que seguir a ordem. Mas ele a seguiu sem entusiasmo pois sabia que aquela água não podia ser trazida. O tempo estava sendo desnecessariamente perdido! E ele estava com sede, mas como Buda disse para ir, ele tinha que ir.

Novamente ele retornou e disse: “Por que você insiste? A água não está potável”. Buda disse: “Vá novamente”. E como Buda havia dito para voltar, Ananda teve que ir.

A terceira vez que ele chegou no riacho, a água estava tão clara quanto ela sempre esteve. A sujeira tinha ido embora, as folhas mortas tinham ido embora e a água estava pura novamente. Então Ananda riu. Ele trouxe a água e veio dançando. Ele caiu aos pés de Buda e disse: “Seus meios de ensinar são miraculosos. Você me ensinou uma grande lição – que apenas a paciência é necessária e que nada é permanente”.

E este é o ensinamento básico de Buda: nada é permanente, tudo é transitório – assim por que ser tão preocupado? Volte ao mesmo riacho. Então, tudo deve ter mudado. Nada permanece o mesmo. Apenas seja paciente: vá novamente e novamente e novamente. Apenas alguns momentos e as folhas terão ido embora e a sujeira terá se assentado novamente e a água estará pura novamente.

Ananda também perguntou a Buda, quando ele estava voltando pela segunda vez: “Você insiste que eu vá, mas eu não posso fazer alguma coisa para tornar aquela água pura?”.
Buda disse: “Por favor, não faça nada; do contrário você a tornará mais impura. E não entre no riacho. Apenas fique do lado de fora, esperando, na margem. Sua entrada no riacho criará uma confusão. O riacho flui por si mesmo, assim deixe-o fluir”.

Nada é permanente; a vida é um fluxo. Heráclito disse que você não pode pisar duas vezes no mesmo rio. É impossível pisar duas vezes no mesmo rio porque o rio fluiu; tudo mudou. E não somente o rio fluiu, você também fluiu. Você também é diferente; você também é um rio fluindo.

Veja esta impermanência de todas as coisas. Não tenha pressa; não tente fazer nada. Apenas espere! Espere em um total não-fazer. E se você pode esperar, a transformação estará presente. Este próprio esperar é a transformação.

Osho, The book of the Secrets, V3, #38

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I Ching: Hexagrama 62: Trovão sobre a montanha: A imagem da preponderância do pequeno:

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O vídeo “O Pálido Ponto Azul”, postado por Luiza, meses atrás, que motivou o título desse post:

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ATITUDES

Publicado por adi em março 21, 2010

Eu sei que até já falei isso antes, mas é assim que continuo pensando. Sabe têm coisas boas que valem a pena falar, valem a pena repetir, valem a pena espalhar. Esse é um exemplo de atitude que faz o mundo melhor, e é isso que vale a pena estarmos espalhando e nos espelhando.

A menina, 13 anos, Natalie Gilbert, ganhou um prêmio e foi cantar o Star Spangled Banner, hino dos EUA, no jogo da NBA.
Vinte mil pessoas no estádio, ela afinadinha. Aí o braço tremeu, ela engasgou, esqueceu a letra… DEU BRANCO!!! Treze anos. Sozinha, ali no meio…

O PÚBLICO ESTUPEFATO ameaça uma VAIA. De repente, Mo Cheeks, técnico dos Portland Trail Blazers, aparece ao seu lado e começa a cantar, incentivando-a, e trazendo o público junto.

Bonita CENA e – o que é mais incrível – … só o técnico tomou a iniciativa de ir até lá para ajudar, enquanto os demais à volta dela só observavam estupefatos…

Mostra como uma atitude de  SOLIDARIEDADE, NA HORA CERTA, pode fazer uma grande diferença, para ajudarmos um ser humano e mudar a história do JOGO da vida.

É nisso que acredito, atitudes certas, cada um colaborando com o que pode, no seu campo de ação, podem sim tornar o mundo melhor e mais bonito.

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Os memes e o inconsciente

Publicado por Filipe Wels em julho 15, 2009

Oscar Wilde tem aquela frase cérebre que diz que viver é algo restrito para poucos; o normal é existir. O debate sobre a legalização das pesquisas sobre células-tronco procurava saber se a vida começa na concepção ou quando o óvulo passa a ter condições para se desenvolver. Mas isso leva em conta a vida apenas no aspecto biólogico. E que podemos fazer sobre um aspecto não com o frio olhar científico, mas mais filosófico, de quando, afinal, começa a vida. Para responder a essa pergunta, precisamos levar em conta dois aspectos: os memes e o inconsciente.

Memes são o equivalente cultural dos genes, segundo o biólogo Richard Dawkins em sua clássica obra O Gene Egoísta. Assim como os genes passam de gereção para geração pelo DNA, os memes passam pelo cérebro ou por outras formas de armazenar informações, com os livros. Sao padroes cognitivos que passam de geração pra geração e filtram nossa percepção da realidade – e procuram condicionar, determinar, o comportamento humano.

Exemplo de meme muito fácil de detectar no Brasil é o força que possui o futebol. Praticamente todas as pessoas têm um time – porque foram condicionadas a isso ou por parentes, ou por amigos. Mas a grande maioria dos nossos pensamentos, crenças, idéias e dogmas são frutos de um condicionamento. Como a nossa ação é condicionada pelo nosso pensamento- e o próprio pensamento é fruto, ele mesmo, de um condicionamento-  a liberdade de escolha e o livre arbítrio que julgamos ter é ilusória em grande parte. Quando ” vivemos” como fruto de um condicionamento, não há vida, de fato, porque não temos consciência nem um próposito definido naquilo que fazemos. Desde cedo, somos condicionados a muitas coisas: estudar, trabalhar, namorar, casar, para , depois, enfim, morrer. Isso é o comum entre a grande maioria da humanidade, mas o que nos diferencia como seres humanos é justamente uma motivação, um propósito único para cada indivíduo, que realmente justique sua presença nesse mundo. Que faça valer a pena o corpo maravilhoso e os bilhões de neurônios que recebemos. Para isso, é realmente necessário ter um próposito e uma consciência de que por que estar aqui; e isto requer um conhecimento interior que jamais vem automaticamente. Ninguém sabe o que quer sem conhecer a si mesmo.

A vida é um milagre em si mesmo, mas poucos param para refletir sobre isso. A maioria pensa que com o nome uma profissão já sabe de tudo. É uma maneira de pensar muito ingênua. Precisamos resgatar uma educação que já se perdeu. Atualmente, há uma cultura massificada, recebemos pacotes de verdades e dogmas prontos desde crianças, bem como as direções e caminhos que devemos tomar. E vivemos, inconcientemente, seguindo justamente essas idéias meméticas, sem saber, de fato, o que estamos buscando ou que porque estamos fazendo isso.

Por isso, tal relação que o senso comum supõe existir entre idade e experiência de vida não existe. Ela é verdadeira em sociedades que valorizam a sabedoria- o que, certamente, não é o caso da nossa, que valoriza o conhecimento meramente intelectual para fins monetários  e não a experiência. Hoje em dia, isso depende muito da pessoa que se trate, e um senhor de 70 anos pode nao ter metade da experiência de um jovem de 20- assim como pode ter muito mais , mas, neste caso, o fato de ter 70 anos será apenas um coadjuvante e não motivo de ter tal experiência. Nenhuma pessoa tem experiência mais do que outra apenas por ter mais idade. Isso se deve a um conjunto de fatores.

“Vida” é algo que nao se ganha; se conquista. Compreender o significado do vida foi algo pretendido pelos maiores sábios do mundo- e justamente pelo esforço em adquirir tal entendimento que os transformou em verdadeiros sábios. Hoje, recebemos uma carga de condicionamentos, vivemos sem saber porque vivemos, quais inclinações nos motivam, quais própositos nos animam e damos como certas muitas coisas que não são verdadeiras, que deixariam de ser certas se lhes colocássemos uma interrogação, um porquê.

O tempo, por si mesmo, não leva a nada, senão a cristalização dessas ilusões. Quando questionamos uma idéia que mantínhamos há um ano, ou meses, é fácil mudar de opinião. Agora, como vamos aceitar que estivemos errados sobre algo que acreditamos com tanta convicção há 20, 30 anos? Como nossas escolhas e decisões são baseadas em nossas crenças, admitir isso seria admitir que vivemos 20 e 30 anos no caminho errado. Isso acaba sendo algo muito duro, portanto é muito mais cômodo , depois de uma certa idade, defender ferrenhamente nossas convicções a ter a atidade mais saudável de colocar um ponto de interrogação naquilo que julgamos como ponto pacífico.A sabedoria só vem quando aprendemos a amá-la, a buscá-la, a cultivá-la, e nossa cultura ocidental não favorece  isso.

Mas, onde está a causa disso? Porque somos tão suscetíveis a tais condicionamentos?

A resposta está no inconsciente – aquilo que acreditamos como verdade consciente ( e é um meme) também está presente no nosso inconsciente. Há um paralelo entre ambos. Freud dizia que nosso inconsciente tem uma ” herança ancestral” dos nossos antepassados, que chamava de ” resíduos arcaicos”. Assim como nós somos resultados de um longo processo de evolução biológica, nossa psique também recebeu essa formação ancestral. E há justamente essa formação do inconsciente de geração para geração, tal como nos memes.

Por isso, e eu insisto com isso, a única forma de manter contato com o inconsciente é auto-conhecimento. Há várias formas disso, como a “imaginação ativa” de Jung, interpretacao dos sonhos, auto-análise ou meditação. Conhecendo-nos, percebemos as ilusões que estão enraizadas nos recônditos da psique. Ilusão compreendida é ilusão desintegrada. Assim, com um longo processo de auto-conhecimento- que é o único caminho para a sabedoria- vamos, aos poucos, começando a viver- pois morremos para a fantasia presente na nossa psique para viver a realidade. Tiramos as travas nossos olhos, presentes na nossa psique, e começamos , gradualmente, a enxergar de fato a realidade.  E assim que se adquire experiência real, que é certamente o mais importante na vida de uma pessoa. Que não vem com a idade, com o tempo, com mera reflexão filosófica ou conhecimento intelectual.

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A Nós!!!

Publicado por Kingmob em maio 22, 2009

A nós, a nós !- brindaram com seus copos rudes de barro, nas suas roupas de grosso tecido encardido os sufis (assim os chamariam outras eras, lugares) com a impostação do árabe já começando a se trair frente a vibração trôpega, elétrica, passional que o ambiente passava a transmitir…

A nós, a nós !- a beberagem e a comum união tornavam-nos quase fadas — aqueles homens severos e truncados amigando entre si como novas crianças no berço único incriado do: “Não há Deus, senão Deus”, alegria profetizando como que a brincar de pique, ou a pular corda.

Sufis e seus tambores

E o amor do Deus único , a unidade pronta a remir a todo instante qualquer diferença, os embriagava tanto mais quanto o crescente no firmamento brilhava com seu véu de semiescuridão no que era um louvor submisso e deferente ao coração dos homens. A divindade curvava-se à frente dos homens de coração puro.

A nós, a nós – a fogueira parecia suplicar aos ares em redor – súplica comovida , por haver a confraria se tornado tão querida, tão dilatada na afeição severa que lhe devotava Alá. Os emissários, os Djinns, criados do fogo sem fumaça, apareciam nas visões de comunhão, uma só mente a pensar por todos e uma só vida a pulsar em todas as suas pétalas.

A nós, a nós!, os tambores em um ritmo sem mácula derramavam  nos ouvidos e olhos a exuberância nobre e exata de cores e sons nunca dantes navegados. Fez-se na alma dos velhos sufis a criação como um rigor geométrico e rítmico, virginal ,de uma ultracoerência obsessiva, mas sem a debilidade que costumeiramente portam as obsessões. Seus sentidos se apresentavam como mapas traçados por um lápis incompreensível e os eus fluíam-se para dentro da mesma taça que transbordava sem derramar.

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Arranha-céu

Publicado por Kingmob em maio 12, 2009

Escreve-se do alto de um prédio arranhando o céu com o esmalte descascado da dúvida, sem saber se essas pernas terão forças para descer galgando os passos descendentes que conduzem ao amanhã ou pelo menos ao logo após.

É madrugada e há aves no céu. Vê-se o redondil da Terra e seus 360 graus de negror e de cada fundo do horizonte ouvem-se os gemidos, ou pelo menos esse rumor incessante que vem da cidade, ou da terra, ou do ouvido retumbando.

A baba amarelada molha o cigarro que assumiu vida própria, entidade de fumaça – santa em um momento, diabólica no correr do tempo… mas o tempo acabou, extinguiu-se com o último planeta auto-luminoso ou com o último espelho de prata ou com a última víbora sinuosa enrodilhada no esqueleto vertebral.p e b

Restam estas bolhas elementais que teimosamente insistem em ocupar partes avessas do corpo reclamando como pequenos tiranos espaços que jamais poderão ser seus. Resta queimá-las nos esgares de prazer e nas pontas em brasa, dilúvio celebratório, ode abissal às explosões da quase extinção total, ponte de madeira ou pelo menos aceno entre a carne e o nada.

Todos dormem abaixo na solidão do cimento. Pode-se em delírio eletromagnético ouvir e ver o que contam as cores das ondas transmissórias. Parte-se o corpo em pedaços portando cadências e nervosidades imprevisíveis e a gargalhada soa como uma casa de espelhos posicionada em uma lua qualquer de algum astro qualquer.

Faz falta um band-aid. É que as bolhas d’agua, e d’terra e d’fogo pipocam sulfurosas cantando seu metal pesado qual peste bubônica infalível, último esforço salvatório de um universo que não reconhece nele mesmo senão microesferas encarquilhadas cuja última proposta de barganha é a explosão nuclear fulminante e total das palavras seminais a germinar os óvulos em cada lâmina de grama e faca.

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