Anoitan

“Se sempre há um amanhã, sempre há um anoitã.”

Archive for the ‘Mito’ Category

Da Modernidade Líquida de Bauman à Sólida de René Guénon

Posted by Sem em abril 19, 2014

Um texto da maior importância, da maior importância…

 

Retirado do blog Projeto Phronesis, que por sua vez cita a fonte http://www.reneguenon.net/GUENONtextos/IRGETGuenonCaimAbel.html

 

Partilho – com ênfase – porque considero esse texto de René Guénon uma das peças fundamentais para elucidar ao quebra-cabeça que vimos montando: dos símbolos que fazem mover ao homem, movendo a humanidade desde os primórdios, das primeiras civilizações até a modernidade.

Sim, pois, compreendendo aos símbolos podemos compreender não apenas ao nosso passado e as razões do nosso presente, mas, projetar ao futuro…

De quebra, o texto de Guénon também nos dá uma aula extra sobre alquimia, revelando uma das chaves para a passagem dos sólidos aos líquidos, ou vice-versa…

Um texto elucidativo, filosoficamente falando, pós-moderno e antigo, se assim posso me expressar… Nada a acrescentar ou discordar do pensamento do autor. Gostaria apenas de deixar meu registro de que tanto “Caim” quanto “Abel” são filhos de Deus, e que todas as formas e estados da matéria – “sólidos”, “líquidos” – são possíveis, e, de fato, existem na Natureza…

Vivemos num tempo em que o nosso maior desafio não é tomar mais o partido de um dos lados, instando a cada um fazer suas “escolhas”. Pois não nos convêm mais – como projeto de futuro – eternizar a crucificação de Cristo, formulando como saída de cada crise que enfrentemos, outros e novos bodes expiatórios, execrando continuamente na figura do “estrangeiro”, do “inimigo”, do “herege” – e de tantos “outros” que fazem o nosso “próximo” se tornar “distante”, essa figura fictícia que carrega para longe de nossas vistas a nossa própria incapacidade de reconhecer em nós mesmos a origem de nossas dificuldades. Não nos serve mais essa saída – se pretendemos um projeto mais elevado para a humanidade, pois, na prática, a solução do bode expiatório torna não apenas a realidade do outro impossível, mas a nossa existência menor, em verdade, um inferno de vigilância e medo para todos os lados. O desafio da nova etapa da humanidade é como tornar possível a convivência – senão pacífica – sem prejuízo para nenhuma das partes.  Isso, ou, o quê? Arriscar Leia o resto deste post »

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Íncubos e Súcubos além da fantasia

Posted by adi em agosto 1, 2013

“É um fato de domínio público e que muitos afirmam have-lo experimentado ou escutado pessoas autorizadas que tenham experiência disso, que os Silvanos e os Faunos, vulgarmente chamados íncubus, tem atormentado com frequência às mulheres e saciado suas paixões. Além disto, são tantos e de tal peso os que afirmam que certos demônios chamados pelos Gauleses, Dusios, intentaram e executaram essa animalidade que, negá-lo parece imprudência.” – Santo Agostinho, livro 15 Cap. 23 em DE CIVITATE DEI

Ao se tratar de íncubos e súcubos, o que é mais popularmente conhecido, é o mito como citado acima por Santo Agostinho que viveu nos longínquos séculos IV e V da nossa era cristã.

Embora, séculos se passaram, ainda hoje, Íncubos e Súcubos são conhecidos como demônios que atacam suas vítimas enquanto essas se encontram “dormindo”. O intuito do ataque é ter relações sexuais com elas e, por meio disso, drenar suas energias para assim se alimentarem, na maioria das vezes deixando-as vivas, mas em condições muito frágeis, por esse motivo, também estão relacionados aos vampiros.

Os Íncubos são demônios masculinos que atacam as mulheres, já os súcubos são demônios femininos que atacam os homens. Numa pesquisa no Wikipedia, temos a informação de que o prefixo in- “sobre”, da palavra íncubos, dá o significado de alguém que está em cima de outra pessoa. De acordo com o livro “O Martelo das Bruxas” (Malleus Maleficarumda idade média, a palavra “succubus” vem de uma alteração do antigo latim succuba significando prostituta. A palavra é derivada do prefixo “sub-“, em latim, que significa “em baixo-por baixo”, e da forma verbal “cubo“, ou seja, “eu me deito”. Assim, o súcubo é alguém que se deita por baixo de outra pessoa, e o íncubo (do latim, in-, “sobre”) é alguém que está em cima de outra pessoa.

Apesar de as descrições acima do “modus operandi” desses seres serem distintas entre si, segundo os relatos das vítimas, eles atacam de forma muito semelhante, como uma pressão muito forte sobre o peito, os imobilizando e ainda, com intensa conotação sexual.

De aparência muito sedutora e magnética, esses demônios são descritos algumas vezes com asas de morcego e também com outras características demoníacas, como chifres e cascos. O súcubos atraem o sexo masculino e, em alguns casos, o homem “apaixona-se” por ela. Mesmo fora do sonho, ela não sai da sua mente, por esse motivo, ela permanece lentamente a sugar-lhe energia até à sua morte por exaustão. Outras fontes dizem que o demônio irá roubar a alma do homem através de relações sexuais.

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incubus (1)

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Diz-se ainda que, tanto os súcubos, assim como os íncubos, descendem de um mesmo demônio, o qual, para uma mulher apareceria na forma masculina e para um homem o mesmo demônio apareceria com a forma feminina.

E disto deriva que os súcubos recolhem o sêmen dos homens com os quais copulam, para que um íncubo possa depois, vir a engravidar mulheres, e desta união ocorre nascerem crianças mais suscetíveis às influências de demônios. Diz à lenda que o mago Merlin é fruto desses tipos de uniões.

Numa nova leitura e interpretação mais atualizada sobre o mito, é muito fácil concluir que tais pesadelos não passam de “fantasias” de desejos sexuais fortemente reprimidos em uma época (idade média) onde, os conceitos de moral, religião e bons costumes eram extremamente rígidos e controlados pela inquisição da igreja romana.

Isto por si só, justificaria o fato de que esses mitos e lendas, tomados como fantasias reprimidas, serem associados a casos de doenças e tormentos psicológicos de origem sexual, os quais são os causadores de pesadelos, paralisia do sono e poluções noturnas. Essa interpretação de relativa simplicidade, pra não dizer rasa, até nos parece convincente, não fosse a dúvida: seriam mesmo, somente essas duas possibilidades – demoníaca ou repressão sexual – a se considerar sobre o assunto?

O assunto nem de longe é tão simples e, por esse mesmo motivo, vai muito além do exposto acima. Não podemos esquecer que tanto em mitologia, bem como magia e também psicologia analítica, o mito está totalmente relacionado com aspectos da psique humana, portanto, faz parte tanto do inconsciente individual bem como do coletivo e, disso resulta que o quadro acima se altera completamente.

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Um pouco sobre a simbologia de Cloud Atlas, o filme

Posted by adi em fevereiro 12, 2013

Cloud Atlas, ultimo filme dos irmãos Wachowski (trilogia Matrix) e Tom Tykwer, no Brasil lançado como A Viagem, foi eleito o pior filme do ano de 2012 pela revista Time, muito embora, o critério de avaliação usado parece ter sido o de arrecadação nas bilheterias, de fato, a primeira impressão que o filme nos dá, é que os diretores perderam a mão nessa receita e o filme desandou, mas não de todo, sem tirar leite de pedra, eu diria que  ainda dá um bom caldo :).  Cloud Atlas não é um filme emocionante e de ação eletrizante como foi Matrix, também não dá para classificá-lo como um blockbuster. Apesar das muitas críticas negativas, classificá-lo como o pior filme do ano achei um exagero, até mesmo uma injustiça com os diretores.

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cloud atlas 2

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O filme é daquele tipo que ou se ama, ou digamos, não se gosta nenhum pouco, e isso acabou gerando muito mais opiniões negativas do que positivas sobre o mesmo. Por abordar uma temática filosófica recheada de simbologia, acabou agradando mais aos espiritualistas, já familiarizados com esses temas. Muito embora, há de se convir, que pelo próprio ritmo do filme de narrar seis histórias como em recortes, no qual, se mistura todos os gêneros, e quando quase depois de três horas esperando o final pra entendê-lo, ainda por cima, tem que montar o quebra cabeça filosófico; é muito compreensível que não é pra todos os gostos mesmo. Sem esse tipo de interesse (filosófico-espiritual), na certa que o filme se mostra tedioso. O diferencial de Matrix que capturou o público de imediato, foi que antes da filosofia do filme, o que se percebe e chama a atenção é toda a ação e luta, e depois é que vem o motivo da luta que retrata o mito do herói em busca de si mesmo, que, montado numa longa trilogia, teve tempo de sobra pra ser digerida sua parte filosófica pelo público.

Não pelos mesmos motivos acima, confesso que fiquei na dúvida se deveria escrever um post sobre a simbologia do filme ou não, porque, apesar da proposta que o filme apresenta se relacionar com os assuntos daqui, quando eu assisti ao filme, ele não me empolgou, não prendeu totalmente minha atenção, parece que ficou faltando alguma coisa, como liga, química, ou magia mesmo. Também não gostei da maquiagem que transformou os atores ocidentais em orientais, ficou cômica, para não dizer de mau gosto. Afora isso, tem sim aspectos bem interessantes, mesmo com algumas frases clichês, o filme passa uma mensagem que vale a pena pensar, e por isso trago alguns pontos que me chamaram a atenção.

Pra quem não leu o livro, como eu, perde-se alguns detalhes importantes, o que compromete um pouco na compreensão do filme quando assistido uma única vez. Tudo bem que a proposta principal do filme, que gira em torno da conexão da vida como um todo está óbvia desde o trailer oficial, mesmo assim, o roteiro adaptado pelos irmãos Wachowski do livro de David Mitchell, não conseguiu juntar totalmente as histórias, o que nos dá a ideia de uma certa superficialidade.

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Assim como em Matrix, a primeira vista, só percebemos os significados mais superficiais, mas Cloud Atlas tem uma camada mais profunda de significados e de interpretação, nesse sentido os diretores foram geniais em instigar e plantar uma sementinha, o que de certa forma, vai depender de cada telespectador até onde ele quer chegar.

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Alquimia Esotérica Chinesa

Posted by adi em outubro 17, 2012

É uma raridade encontrar textos sobre alquimia chinesa na internet, raridade maior ainda é encontrar bons textos como esse aqui de uns dos maiores mitólogos, historiadores e filósofos das religiões, Mircea Elíade. Apesar de textos sobre alquimia usarem de uma linguagem simbólica e de difícil compreensão, o texto em questão é como uma pérola trazendo muita clareza sobre o trabalho interno de desenvolvimento espiritual, simplesmente imperdível a leitura.

” Até estes últimos anos, os cientistas europeus consideravam a “alquimia externa” ou iatroquímica (wai-tan) como sendo “exotérica”, e a “alquimia interna” ou da ioga (nei-tan) como “esotérica”. Se essa dicotomia é verdadeira na opinião de certos autores tardios (cf. p. 94), na origem o wai-tan “era tão esotérico quanto a sua réplica ioga” (Sivin, p. 15, nota 18). Efetivamente, como acabamos de ver, Sun Ssu-mo, ilustre representante da “alquimia externa”, situa-se por inteiro na tradição esotérica taoísta.

O alquimista transforma em coisa sua a homologação tradicional entre o microcosmo e o macrocosmo, tão familiar ao pensamento chinês. O quinteto universal, wu-hsing (água, fogo, madeira, ouro, terra) é assimilado aos órgãos do corpo humano: o coração à essência do fogo, o fígado à essência da madeira, os pulmões à essência do metal, os rins à essência da água, o estômago à essência da terra (textos em Johnson, p. 102). O microcosmo que é o corpo humano acha-se por sua vez interpretado em termos alquímicos. “O fogo do coração é vermelho como o cinábrio e a água dos rins é negra como o chumbo”, escreve um biógrafo do famoso alquimista Lii Teu (século VIII A.D.).[11] Homologado ao macrocosmo, o homem possui, no seu próprio corpo, todos os elementos que constituem o Cosmo e todas as forças vitais que asseguram a sua renovação periódica. Trata-se apenas de reforçar certas essências. Daí a importância do cinábrio, que se deve menos à sua cor vermelha (cor do sangue, princípio vital) do que ao fato de que, exposto ao fogo, produz o mercúrio. Ele encerra, portanto, o mistério da regeneração pela morte (pois a combustão simboliza a morte). Disso resulta que ele pode assegurar a regeneração perpétua do corpo humano, e, conseqüentemente, a imortalidade.

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DIALÉTICA DO SAGRADO – por André Dantas (parte 2)

Posted by adi em setembro 11, 2012

” Enquanto antigamente o homem só se considerava verdadeiramente humano por mimetizar um modelo trans-humano, o homem moderno se reconhece humano na medida em que não apela para nada além de si. Para o primeiro interessava somente o mito, a história sagrada enquanto narrativa arquetípica que provê modelos típicos de comportamento, enquanto o segundo constrói sua própria história como narrativa do progresso, da superação do antigo onde o sagrado torna-se um obstáculo à sua liberdade. Se para o primeiro era a manifestação do sagrado que tornava esse mundo algo real, o segundo dessacraliza o mundo para conhecê-lo objetivamente. Tendo retirado os seus trajes sagrados ele se reconhece como o único sujeito agente da história, recusando qualquer apelo à transcendência20.

Tal dinâmica é o resultado do próprio cristianismo no qual deus, ao transcender a natureza, tornou-se tão inatingível para o homem que sua existência foi posta em dúvida. Mas essa é apenas uma parte da história. A outra é que esse arrancar-se violento da natureza é o que possibilitou a encarnação humana de deus. Para compreendermos melhor esse movimento lógico, precisamos retornar ao velho testamento onde estão as origens da religião cristã para flagrar o momento bíblico onde deus nega a si-mesmo enquanto fenômeno natural. Esse momento é o êxodo dos judeus do Egito, que enquanto povo escolhido não podia mais compartilhar a sacralidade natural dos egípcios e seus deuses com cabeças animais. Moisés sob o comando de Yaweh retira o seu povo dessa nação profana e os conduz através do deserto em direção à terra prometida. Durante esse êxodo há um momento crucial onde os dois mundos colidem. Um situa-se nas terras baixas, caracterizando-se por um deus que aparece em uma forma animal feita de metal e cultuado através de oferendas. O outro mundo é o pico da montanha, regido por um deus invisível e transcendente com um código moral de leis gravado em tábuas de pedra. O encontro dos dois se dá com um Moisés inflamado pela ira divina do deus da montanha acabando com a celebração em honra ao deus do bezerro de ouro. O episódio encerra-se com Moisés forçando todos a uma decisão, ao perguntar quem está do lado do senhor e comandando esses a pegarem suas espadas e matarem os discípulos do deus do bezerro de ouro.

O bezerro representado na imagem refere-se a uma antiga representação taurina de Yaweh. Isso significa que o que ocorreu na passagem bíblica não é um culto a um deus estranho, uma infidelidade rebelde. O que a narrativa personifica é uma transformação na imagem de deus, no modo como o sagrado relaciona-se com o mundo profano. Nas antigas religiões politeístas encontram-se vários deuses antropomórficos junto a animais que os servem, deidades em forma humana mostradas com os pés descansando em touros. Havia na antiguidade tardia um culto no qual um trono vazio era erigido para convidar uma deidade invisível a tomar posse dele. A imagem do bezerro de ouro pode ser compreendida como algo similar, uma estátua que servia de pedestal erigido para convidar o deus invisível a descer das suas alturas21.

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DIALÉTICA DO SAGRADO – por André Dantas (parte 1)

Posted by adi em setembro 8, 2012

Depois de tanto tempo sem atualizar o blog voltei, trazendo um texto muito bom e interessante de André Dantas que encontrei na Rubedo. Por ser um texto complexo e longo, vou colocar em duas partes pra ser apreciado sem pressa, vale a pena ler cada linha, eu gostei demais e recomendo.

” Todas as mitologias e religiões dividem o mundo em dois domínios opostos, o sagrado e o profano. Se em algumas mitologias a distinção entre o bem e o mal é inoperante, o mesmo não ocorre com aquela entre o mundo sagrado dos deuses e o mundo profano do homem, que não só determina a presença do sagrado numa cultura, como também a própria essência do sagrado e por isso também a do profano. Os dois domínios são distintos e muitas vezes hostis um ao outro, mas também fluem um no outro, visto que um pressupõe o outro. A oposição entre os dois coincide com a distinção entre o que é real e o que é irreal, entre o que “é” e o que “não é’, sendo por isso uma oposição ontológica. O sagrado é valoroso, sólido, real, enquanto o profano pertence ao domínio do não-ser e do irreal. Essa oposição entre ser (sagrado) e não-ser (profano) organiza todo o cosmos mítico-religioso tornando possível a cultura com seus ritos e mitos.

O mundo dos deuses opõe-se ao dos homens, pois o que é tido como sagrado isola-se escapando dos limites da experiência profana, realizando-se como negação do habitual e do comum. Isso ocorre porque para os antigos o espaço não é homogêneo e indiferente, apresentando rupturas, quebras, porções qualitativamente diferentes umas das outras. Há espaços sagrados, consistentes, significativos e há outros não consagrados, sem estruturas e por isso amorfos e inconsistentes. O sagrado só se manifesta ao operar essa distinção e sua manifestação funda ontologicamente o mundo do homem como um animal cultural. Essa oposição é contada recontada em milhares de mitos sobre seres sobrenaturais que criaram um cosmos organizado a partir do caos. Essa ordenação é representada como o surgimento de uma ilha, uma atividade ou instituição que por pertencer ao espaço sagrado organiza e estrutura o espaço profano ao seu redor. Qualquer ação, lugar ou tempo só possui valor, sentido e realidade caso o sagrado tenha ali se manifestado, pois ele confere significado e tudo que lhe escapa torna-se o lugar do não-ser, do relativo, do não-sentido. O profano é neutro, arbitrário, possui grau zero de significação e toda a ação se desenrola no sagrado que por ser intenso, real e significativo, organiza e estrutura a indistinção profana. Graças à mímesisda ação de um deus ou herói, os homens redimem o espaço profano, pois os atos sagrados são os arquétipos de todas a ações significativas realizadas pelos homens, por isso são realizados rituais periódicos onde esses atos são repetidos para garantirem a coesão vital de toda uma cultura2. Leia o resto deste post »

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Entre esferas a caminho do Portal

Posted by adi em fevereiro 16, 2012

Para quem tem acompanhado os textos do Anoitan, esse post aqui é como uma sequência do post sobre A união com o anjo em Tiphareth. Sendo também um assunto muito rico e pra não ficar muito extenso, achei melhor dividir em duas partes ou mais, já que serão assuntos relacionados entre si.

Recapitulando: até Tiphareth, o sujeito lidava com aspectos do seu próprio inconsciente pessoal, que na verdade se trata de aspectos que um dia já foram conscientes, mas que rejeitados e não aceitos pelo eu consciente foram relegados ao inconsciente novamente. Se faz necessário antes do conhecimento e conversação com o SAGA (Anjo Guardião) a aceitação desses aspectos do inconsciente pessoal.

Depois da visão e conversação do Anjo, começa uma nova empreitada na psiquê do indivíduo: ele vai lidar com aspectos do inconsciente coletivo (não confundir com consciente coletivo) – Jung denomina como contato com o animus-anima, porque é este o arquétipo que simboliza aspectos do inconsciente coletivo. Começa a desenvolver e a emergir do inconsciente o aspecto dos opostos, das polaridades, mas primeiro como sendo o aspecto sombrio do inconsciente coletivo em contra posição a luz de Tiphareth, primeiro como sendo o aspecto escuro e maléfico da anima-animus. Antes da anima-animus se tornar o amante, mesmo como psicopompo e guia, ele lhe guiará a conhecer os aspectos sombrios da psiquê objetiva.

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O guardião do Portal

Posted by adi em fevereiro 10, 2012

Iehhh!!!   o entusiasmo voltou e o Sol volta a brilhar, rs!! Está na forma um post que vai ficar bem bacana (na minha modesta opinião, :)).

Só uma palinha sobre o assunto: ” Os primeiros criadores de mitos, incapacitados de compreender adequadamente as forças do Não-Ser, lançaram-nas em um falso molde dos quais essas emergiram como poderes do “mal”. Em consequência, os mitos e lendas estão vivos com demônios, monstros, vampiros, íncubos, súcubos, e uma hoste de entidades malignas dos quais são símbolos que ocultam glifos inomináveis, apavorantes e – para o homem dos primórdios – conceitos inconscientes de Nada, Espaço Interior, Anti-matéria, e o horror final da ausência absoluta”.

Retirado daqui.

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O proibido de fato – por Elielson

Posted by adi em novembro 29, 2011

Existiu o modelo perfeito de felicidade, um Paraíso, que só é encontrado em crianças livres, livres para ir e vir e livre de idéias adultas. Essa foi a primeira condição da vida humana, quando a inconsciência e a consciência eram uma só.

A verdade por trás dos mitos derruba a interpretação livre e derruba o literalismo. Há mesmo uma fluência em que as informações formam um estado interpretativo infalível, essa interpretação está ligada a moral e as ataduras que envolvem a prática de tal moral, e a moral que se segue após atos imorais, que não libertam a vida para uma imoralidade inconsequente, nunca.

Primeiro ato imoral: Sexo. Vão dizer que não, que sexo é bom, dá prazer e não mata, não desrespeita mandamentos, e assim se justifica que não é de todo um mal. Mas quem disse que o sexo é proibido por ser um mal que foi praticado? A proibição visa consequências de atos, não o ato em si, então a partir do sexo como pedra fundamental do pecado, podemos analisar por suas consequências a ligação entre o ato em si e o mal do ato em si.

 

 

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Beijos místicos

Posted by adi em outubro 13, 2011

 

Evangelho de Felipe: “A graça chega a ele da boca, do lugar de onde chega o Logos. A pessoa deve ser nutrida da boca para se tornar perfeita. Por isso os perfeitos são concebidos e nascem por meio de um beijo. Por esta razão nós também nos beijamos uns aos outros. Somos concebidos da graça que nos é comum.”

 

 

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