Seguindo a boa dica da Luiza sobre o filme “O Labirinto do Fauno”, me interessou ler novamente o post do Saindo da Matrix e os comentários, todos bons por sinal, onde praticamente todos os aspectos interessantes e simbólicos do filme foram discutidos, com exceção das três provas de Ofélia, que foram citadas mas não muito aprofundadas, por isso trouxe aqui pra gente “esmiuçar” um pouco mais.
Acho que já assisti ao filme mais de 3 vezes, há algum tempo atrás e já não me lembrava mais de todos os detalhes. Como sou curiosa, lá fui eu pesquisar no Youtube cenas do filme, particularmente com relação a essas etapas, e o filme ainda continua mexendo comigo, não sei se a música ajuda no clima, mas é inevitável não se emocionar, principalmente nas cenas finais… ainda acho um filme muito triste…
Além dos elementos arquetípicos do feminino, da Grande Mãe, do aspecto negativo masculino que se apresenta no personagem do capitão, e do conflito interior de Ofélia na passagem do infantil para a puberdade; Ofélia como que necessitava se refugiar num outro mundo, num mundo mágico e perfeito. Nada mais natural em meio a guerra civil, onde se vê tanta violência e crueldade tão próximos e reais para ela.
No início do filme, ouvimos a narração do conto da Princesa que foge do reino subterrâneo para o mundo dos humanos, porque sonhava com o céu azul e com o brilho do sol, e que diante da luz se esqueceu de seu passado, de sua origem. Esse conto nos lembra muito a jornada de nossa alma, o mito da queda de Sophia, a diferenciação do espaço/tempo, do inconsciente/consciente, e esse é o destino de Ofélia, o retorno ao reino e ser uma princesa novamente.
Dentro do carro, a caminho do encontro com o Capitão, Ofélia está entretida com um livro de contos de fadas, de princesa, de um reino encantado, então ali naquele bosque e novo lugar tem início seu destino, voltada interiormente, num mundo imaginativo e mágico, esse mundo de sonho começa a tomar forma.
Dentro do labirinto, todo em espiral, há como uma fonte em seu centro, lá Ofélia encontra e conhece o Fauno, que lhe conta sua verdadeira origem, ela é uma princesa, filha do Rei do mundo subterrâneo e filha da lua, e que ali naquela fonte há um portal para o reino, mas pra retornar precisa passar por três tarefas para provar que sua alma não está corrompida, que sua essência está intacta e que é imortal.
Três é um número sagrado que costuma estar simbolizando o princípio divino. Epiral é um símbolo feminino, de fecundidade, que evoca o caráter cíclico de evolução, qual seja, a viagem da alma depois da morte.
Fonte simboliza o acesso ao inconsciente que pode ser simbolizado através da imagem do mundo subterrâneo, cujo portal de entrada é a fonte, um símbolo materno. Existe ainda uma conexão entre a fonte, a juventude e a imortalidade sendo que sua água é equiparada ao elixir da vida dos alquimistas. A fonte é um símbolo feminino, materno, de origem da vida. É uma imagem da alma, da gnose, do centro, da individuação. Percebemos aqui que é o próprio inconsciente, a própria alma de Ofélia quem a está conduzindo através da “imaginação”. Leia o resto deste post »



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