Anoitan

“Se sempre há um amanhã, sempre há um anoitã.”

Archive for junho \27\UTC 2012

O que justificaria tamanha resistência do Inter ao fechamento do Beira-Rio?

Posted by Filipe Wels em junho 27, 2012

Sabemos que o Palmeiras joga na Arena Barueri pelas reformas no Parque Antártica, assim como os times de Belo Horizonte e do Rio de Janeiro estão jogando em outros estádios, com o Mineirão e o Maracanã fechados para reformas.

Só o Beira-Rio insiste em não fechar, oferecendo à sua torcida riscos. Seria isso resultado de um problema da mesma mentalidade manequeísta que atribuiu a decisão judicial a clubismo?

Se o Inter fosse jogar no Olímpico, fazendo com que os dois times dividissem esse estádio no último ano de duas história, teríamos um dos mais belos capítulos da rivalidade gre-nal. E talvez fosse um símbolo de tempos mais civilizados, quando as torcidas confundem uma rivalidade que deveria ficar dentro das 4 linhas com inimizade- ou até ódio.

Se as diretorias dos dois clubes não buscam uma solução mais madura para esse problema- com a Inter batendo o pé em continuar jogando no Beira-Rio a despeito de fato de que todos os outros estádios em reforma para a Copa terem sido intertidados – e a Grêmio não oferecendo seu estádio- como podem exigir comportamos mais civilizados das próprias torcidas?

 

 

Posted in Uncategorized | 8 Comments »

Meditação

Posted by Sem em junho 10, 2012

 

 

 

Dá o nó & Desata

Devíamos tornar as rosas as nossas mestras.

As rosas que trabalham em oposição as suas pétalas, silenciosamente.

Uma pétala não briga com outra

e fica somente se achando

que as outras são invasoras alienígenas

e que ela sozinha faz a rosa.

Sabe apenas a pétala que compõe harmonia.

E a rosa

simplesmente

dispõe beleza

no mundo.

A rosa não briga com nenhuma de suas pétalas

porque não renuncia sua natureza de rosa;

ao redor do seu eixo-miolo

ela trabalha,

pacientemente.

Devíamos aprender com as rosas a morrer;

há tantas formas de morrer e só uma de viver…

Bashô disse: O que diz respeito ao pinheiro,

aprenda do pinheiro;

o que diz respeito ao bambu,

aprenda do bambu.

Devíamos aprender com a Natureza

a nos dispor ao redor do nosso próprio eixo:

Oposição & Complementaridade;

Parte & Totalidade;

Solitários & Coletivos.

Devíamos aprender a fazer do & o nosso eixo

a nossa única forma de viver.

Que o resto é a amplidão da morte num cosmo sem estrelas.

Quinhentos anos antes de Cristo, Heráclito disse: o arco tem por nome a vida, e por obra a morte.

O arco

de onde uma seta dispara tão breve e sem volta; nossas vidas.

Gibran disse: que o seu disparo na mão do arqueiro seja para a alegria.

E no século XII, o monge beneditino, Bernardo Moliacense, fez um poema em latim que acabava com a seguinte sentença: stat Roma pristina nomine, nomina nuda tenemus. Algo como: “da Roma Eterna nós temos apenas o nome, resta-nos apenas o nome”.

De onde Humberto Eco disse ter colhido o significado e a inspiração para a última frase do seu romance O Nome da Rosa.

Stat rosa pristina nomine, nomina nuda tenemus.

Cuja melhor tradução é: “a rosa permanece fresca apenas no nome, e nós temos apenas o nome”.

A cidade pela flor; a flor pelo nome da mulher; a mulher pelo ser desejado; o ser desejado pelo amor; o amor como o significado da vida plena.

Triste e belo, como a vida.

Verdadeiro.

Em outras palavras, do Arquétipo só vivemos o seu símbolo, e não experimentamos de sua numinosidade senão o reflexo.

Que em outras palavras quer dizer que temos a água e a sede, mas bebemos apenas a palavra

“água”

e seguimos sedentos.

Por outro lado, por que haveria de brigar uma verdade com a outra,

se é verdade, também.

O mesmo ser que ata, desata.

Quando, em Romeu e Julieta, Shakespeare diz: aquilo que chamamos rosa, com outro nome teria igual perfume.

O que é um nome? È algo.

Que algo? Algo que esconde algo.

O que esconde? Algo ainda mais profundo e que vive por trás do nome.

Por vezes parece que há uma guerra em curso entre o nome das coisas & as coisas;

entre Imaginação & Realidade;

mas

verdadeiramente

não há.

O mesmo ser que tem pensamentos, tem corpo, faz poemas, sente, vive.

Não há guerra e sim um confronto complementar entre as pétalas das coisas.

Não há meios de alcançar a realidade senão através da imaginação.

Uma & Outra.

Vida & Morte.

Conclusão: “A neve e as tempestades matam as flores, mas nada podem contra as sementes.” Khalil Gibran.

Enquanto existir rosa, há esperança.

 

 

PS: Fiz esse poema estranho, quase um não-poema, para publicar no meu blog de poesia, parte de uma sequência a qual pretendo levar a cabo com o nome de, quer dizer, poderia se chamar, “rosa-pensamento”. Depois, me dei conta de que ele poderia ser publicado aqui, pois se situa exatamente sobre as questões aqui abordadas, e se não foi justamente esse o motivo do seu nascimento.

Posted in Poemas | Leave a Comment »

Revoluções de Eros: de dentro para fora e de fora para dentro

Posted by Sem em junho 6, 2012

“É impossível exagerar a importância dos receptáculos criativos viáveis para a promoção da conexão da alma. Esses receptáculos são as formas e estruturas sociais básicas da sociedade. Eles influenciam e determinam os padrões e o estilo de vida da sociedade. Atualmente há grande necessidade de novas formas de casamento, amizade e comunidade que promovam o desenvolvimento de Eros e dos sentimentos de afinidade de conexão. Mas provavelmente será preciso longo tempo para que haja qualquer mudança criativa nas unidades básicas estruturais da nossa sociedade. O que devemos fazer, nesse ínterim, em relação à grande disparidade entre a realidade de viver um mundo doente e fragmentado e nossa visão de vida melhor? O que o paciente que concluiu a análise fará agora que se religou à visão criativa de sua alma? Agora que vivenciou a realidade concreta da conexão aberta e contínua com outra pessoa?

A troca de substância da alma que ocorre quando duas almas se encontram e se tocam é fundamental para a vida e para a saúde do corpo e do espírito. A totalidade interior logo se tornará fria, rígida e mortífera se a alma não for continuamente re-humanizada e renovada através das ligações humanas. Ainda assim, exatamente porque é tão difícil encontrar conexões da alma na nossa cultura e que a cura interior da cisão mente/corpo e a totalidade interior são tão essenciais. Este é outro paradoxo que não podemos evitar.

A necessidade de mantermos nossa alma cuidadosamente oculta e protegida desaparece quando não dependemos mais da ligação com outra pessoa para sermos completos. Não existe mais o medo de vivenciarmos e expressarmos nossos sentimentos, nossa reação diante de outra pessoa, simplesmente porque a integridade e a totalidade do nosso ser não dependem de relacionamento particular. Isso aumenta a possibilidade de termos estreitas ligações humanas e diminui nossas expectativas e exigências em relação às pessoas de quem gostamos. Além disso, a alma revelada geralmente evoca a emoção do amor, especialmente quando nada exige do outro. Assim, a totalidade interior abre a porta a número muito maior de possibilidades de conexão de alma, apesar da falta de receptáculos fomentadores de Eros na nossa cultura.

Mas ainda há outra dificuldade que continuamente ameaça debilitar a totalidade interna: a visão de um mundo novo e melhor. Independentemente das inúmeras formas que essa visão possa assumir, tem suas origens no arquétipo da união, expresso em imagens como a do Incesto entre Irmão e Irmã, a do Matrimônio Celeste ou Divino, a da Quaternalidade e da Mandala. Como já vimos, uma conexão com esse arquétipo, e a crença de que um dia ela será satisfeita, confere direção, significado e equilíbrio à vida. A realização e a satisfação podem ocorrer internamente em muitos níveis, como harmonia e união interior; externamente, como união e unidade com outra pessoa, com a comunidade, com o mundo, com o cosmo. As imagens do mundo ideal através do qual o arquétipo se expressa possuem certas características em comum, a saber: mundo no qual a paz, a harmonia e o amor fraternal são a norma; comunidade baseada na afinidade na qual cada homem se desloca com orgulho e dignidade, protegido da invasão de forças estranhas; comunidade governada pelo princípio de Eros, na qual os instintos agressivos e o princípio do poder trabalham criativamente em prol da verdade, da beleza e de valores estéticos. Esses elementos são o terreno comum no qual se baseiam todas as visões utópicas e um paraíso terreno, uma Nova Jerusalém.

Talvez na Era do Ouro, ou antes da Queda, o homem tenha realizado e satisfeito essa visão; talvez tenham existido comunidades através da história que tenham se aproximado dela. Estamos agora vivendo num período que parece o exato oposto da visão utópica, apesar de toda a nossa abundância material. A convicção de que um dia a visão utópica será realizada é, mais do que nunca, fundamental para manter nosso equilíbrio e nossa sanidade. Qualquer avaliação realista das condições existentes e das forças atuantes, contudo, só nos pode encher de profundo desespero quanto ao futuro. Como podemos nos agarrar à crença de que um mundo melhor é possível diante desses fatos calamitosos? Como podemos extrair alegria e significado da vida cotidiana vivendo neste mundo fragmentado e fragmentador? Afastar e tentar criar uma comunidade nova e exequível não parece dar certo por muito tempo. Confrontados com a impossibilidade de escapar do destino de todos os homens modernos, é extremamente difícil para nós sustentar nossa fé e conexão com a visão utópica. A harmonia interior e a totalidade do ser começam a desmoronar sempre que perdemos a fé nessa visão. A análise precisa ser capaz de mostrar ao indivíduo a maneira eficaz de manter sua fé na suprema realização dessa visão utópica, apesar dos fatos duros e cruéis da realidade; caso contrário, ela deixará de cumprir sua promessa de guiar o indivíduo ao longo do caminho da auto-realização e da totalidade.”

 

 

Retirado de Incesto e Amor Humano: a traição da alma na psicoterapia – Robert Stein. Tradução de Cláudia Gerpe Duarte,  Editora Paulus, 1999.

Arte fotográfica de Arno Rafael Minkkinen, da coleção Man and Woman, aqui a foto poderá ser localizada em Portfólios, junto a outras coleções.

Esse post foi motivado por uma resposta a Adi, a respeito de sonhos e sobre a questão de Eros, em como realizar o nosso trabalho interno de integração alma-espírito-corpo e de como vamos nos colocar no mundo de modo igualmente integrado. Aqui a minha resposta.

Posted in Espiritualidade, Psicologia | Etiquetado: , , , | 3 Comments »

 
Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Junte-se a 46 outros seguidores