Anoitan

“Se sempre há um amanhã, sempre há um anoitã.”

Archive for setembro \29\UTC 2009

O Poder (agregador) do Mito – Joseph Campbell

Publicado por Sem em setembro 29, 2009

O antropólogo americano Joseph Campbell (1904-1987) foi um dos maiores estudiosos de línguas e de religiões antigas de que se tem conhecimento. Muito lido e citado entre os junguianos, sua obra, no entanto, deveria ser revista para além de uma visão empobrecedora e que faz da vida individual mero mote para um pré-programado script coletivo, ou do tempo presente como mera reedição do passado. O que Campbell antes queria era o mito como integrante na vida cotidiana de todas as pessoas, tendo as pessoas dele consciência ou não, o mito integraria o significado da vida a um só tempo -tempo sagrado-, o poder do mito seria a efetiva agregação de significado onde na verdade não existe nenhum, o que há é a vivência de uma vida com significado no “olho do furação”. O poder do mito é agregar os polos que dilaceram o ser, não propriamente de resolver o dilaceramento, mas de tornar a vida significativa e digna de assim ser chamada ou vivida.

Segue um documentário gravado entre conversas mantidas entre Joseph Campbell e o jornalista Bill Moyers, pouco antes da morte do mitólogo. O título original do documentário é Joseph Campbell and the Power of Myth. Existe um DVD que pode ser adquirido em livrarias, que a teve Cultura compilou e traduziu para o português. Os links que deixo a seguir são vídeos deste documentário no YouTube, de muito boa qualidade. Cada link é independente e traz uma lista de seis vídeos, é só seguir a ordem para assisitr, cada vídeo contém aproximadamente 10 minutos de duração.

Palavras de Campbell para Moyers: “Dizem que o que todos procuramos é um sentido para a vida. Não penso que seja assim. Penso que o que estamos procurando é uma experiência de estar vivos, de modo que nossas experiências de vida, no plano puramente físico, tenham ressonância no interior do nosso ser e da nossa realidade mais íntima, de modo que realmente sintamos o enlevo de estarmos vivos.”

Palavras de Moyers a respeito de Campbell: “Nunca encontrei alguém que soubesse contar melhor uma história do que Joseph Campbell. Escutando-o falar sobre as sociedades primitivas, fui transportado às largas planuras sob a imensa cúpula do céu aberto, ou à espessa floresta sob o pálio das árvores, e comecei a entender como as vozes dos deuses falavam através do vento e do trovão, e como o espírito de Deus flutuava em todo riacho da montanha, e toda a terra florescia como um lugar sagrado – o reino da imaginação mítica.”

A Mensagem do Mito:

http://www.youtube.com/view_play_list?p=C5D1DBCCA9BB50B5

A Saga do Herói:

http://www.youtube.com/view_play_list?p=37D3A1AFFCCD5E13

Os Primeiros Contadores de Histórias:

http://www.youtube.com/view_play_list?p=5C8C50BF574D9F8A

Sacrifíco e Felicidade:

http://www.youtube.com/view_play_list?p=E63AB5C7B9952853

O Amor e a Deusa:

http://www.youtube.com/view_play_list?p=694367B1AC61EB7D

Máscara da Eternidade:

http://www.youtube.com/view_play_list?p=EB3294308546D026

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Fica, Sarney!

Publicado por Filipe Wels em setembro 22, 2009

Não, é claro que eu não gostaria, de fato, que ele ficasse no cargo. Mas o movimento para derrubar o Sarney, visando ética na política, não percebeu que isso de nada adiantaria para ter ética na política- e que, além de tudo, “ética ” e “política” são tão imiscíveis quanto água e óleo.

Sarney seria o quarto presidente do Senado a cair em menos de uma década . ACM caiu há alguns anos por algo até inocente comparado com os atos secretos de hoje: ter violado o painel da cassação do Luís Estavão. Logo em seguida seu sucessor caiu, Jader Barbalho, por uma série de escandalos bem piores que o derrubou seu antecessor. Houve um pequeno tempo com um senador considerado íntegro na presidência- o falecido Rames Tebet- para depois aparecer um sujeito chamado Renan Calheiros, em cuja presidência apareceu o maior mar de lama já visto nos últimos anos. Ele caiu, mas continuou como senador e não perdeu sua influência.

Tirar o Sarney do cargo não vai mudar absolutamente nada. Pelo contrário, com uma cabeça cortada, o povo se acalma, e pensa que, enfim, a justiça foi feita. Basta punir um ou dois, da forma mais branda possível, e a opinião pública se acalma. Logo em seguida vai aparecer outro Presidente do Senado, que será protagonista de escândalos  piores que farão , como diria o saudoso Delúbio Soares, ser tudo o que veio antes esquecido e virar piada de salão.  É a mesma história, se repetindo. Enquanto isso, nosso simpático bigodinho continuará fazendo a festa nos bastidores, porque seus tentáculos gosmentos não diminuirão o alcance apenas por ele perder a presidência.

Sou cético em relação a considerar a existência de “ética” na “política” por considera-las opostas. É como essa questão de lotear cargos no governo em troca de apoio político: não é, de forma alguma, ético um partido se vender por cargos para votar ao favor do governo, ao invés do governo nomear como ministro a pessoa mais adequada para exercer aquela função, enquanto os partidos votam por sua consciência. Entretanto, isso é inevitável num regime democrático.  E nem preciso gastar meus dedos para dizer que uma ditadura seria muito pior do que isso.

Ética impõe, ante de mais nada, em o indivíduo se voltar para o bem comum.  Política é uma relação que sempre impõe hierarquia, onde uns mandam e outros obedecem.  Isso é contrário a uma relação verdadeiramente ética, pois voltamos para o bem comum não de forma coagida, mas sim quando nossa natureza é transformada ao ponto de ver o próximo dentro de si.

Amar a si mesmo é anelar o crescimento interior e tal crescimento implica em compreender o quanto cada indivíduo está conectado – não sou magalomaníaco a ponto de querer definir a palavra “amor”, mas posso dizer que ele passa a surgir quando uma pessoa passa a ver o próximo dentro de si.  E é esse valor que pauta as relações verdadeiramente éticas. O amor é incompatível com relações entre comandentes e comandados, que são o funadamento do poder, em cima da qual se estrutura a política. A natureza política é fundamentada no poder, e como tal, é inseparável de negociatas, acordões, alianças bisonhas e tudo o mais que sempre acompanhou nossos noticiários.

Não existe, portanto, ética na política. Mas há uma luz no fim do túnel.  Nossos sistema, por mais capenga que seja, é melhor do que o assistimos no passado, como ditaduras sanguinárias, monarquias absolutistas e laços de servidão.  Se acontecer algum novo movimento de transformação humana como houve no passado, a política será transformada, não ela própria, mas de dentro da fora – como consequencia da transformação interior dos próprios indivíduos que foram a sociedade, seu grande sustentáculo. Isso já aconteceu algumas vezes – basta estudar história para ver que houve momentos de grandes transformações. O que cabe cada um de nós é moldar em nós mesmos essa transformação, já que a única revolução, como todos estamos cansados de ouvir, é interna.

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Just – Living

Publicado por Fy em setembro 18, 2009

Just  -  Living

Soon she’s down the stairs
Her morning elegance she wears
The sound of water makes her dream
Awoken by a cloud of steam
She pours a daydream in a cup
A spoon of sugar sweetens up

As animações feitas em stop motion, se produzidas com alguma imaginação fornecem efeitos verdadeiramente excepcionais. A técnica consiste basicamente em montar uma cena onde o vídeo é feito fotograma a fotograma, entre os quais, os objectos são movimentados ligeiramente. O resultado final é um filme que dá uma nova perspectiva a todo o tipo de objectos, onde estes assumem novas formas e ganham vida, desafiando todas as leis da fisica, bem como a nossa própria percepção do mundo.

Fy

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Zenpoesia

Publicado por Sem em setembro 7, 2009

enso

A Lua brilha no céu.

A Lua brilha no céu da Terra.

A Lua brilha no céu da Terra e reflete no lago.

A Lua brilha no céu da Terra e reflete no lago a luz do Sol.

A Lua brilha no céu da Terra e reflete no lago a luz do Sol no cosmos brilhante.

A Lua brilha no céu.

O lago é brilhante.

O Sol brilha.

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Mitopoesia

Publicado por Sem em setembro 7, 2009

sol

Tome-se o Sol redondo e coloque o homem no centro

– como a medida de todas as coisas.

Pegue-se o conjunto humano e promova humana cultura

– cultuemos os gêneros como medida.

urano

(O Sol é a luz convexa do espírito que a tudo ilumina; a Lua é a alma côncava no corpo da Terra esquecida.)

marte

O homem é então todas as medidas, menos ele é a mulher.

O que é a mulher?

Antes da medida é a desmedida das fases

Antes da referência é a subumana cultura

Mulher é mênstruo: bicho-lua.

lua

Principia o mês Perséfone menina

Nua e nova, objeto do céu – céu que nem se apercebe violado objeto

plutao

Menina que não deseja, antes é desejada

Primeiro pela mãe, depois pelo marido

Primeiro a primavera, depois o inverno

Sempre uma estação depois da outra – dividida.

lilith

Oculta a minguante, esquecida a Deméter

Mal morre e já nasce em crescente Afrodite

Outra mulher: mulher desejante

Deusa venusiana de amor mendicante

venus

Peça-lhe tudo: trabalhe e enfeite-se, ore e erija-lhe templos

Colha da messe prodígios, beleza, delícias

Receba tudo, menos fidelidade.

Só cheia de amor a lua pode ser monogâmica

Psiquê à espera de Eros esperando Volúpia…

mercurio

Se uma mulher olha para outra mulher e insiste o olhar

É antes para descobrir em qual fase ela está – ela e a outra

Mulher cambiante que nunca está onde se põe

Precisa do espelho para se ver refletida

No contraste e na inconstância da amiga.

terra

Mulher objeto tridimensional, quatro fases, dupla jornada

Mulher mensal bicho-lua mutante

Pedaço da Gaia antiga orbitando no céu de agora

Ardendo ao Sol no espaço, gelando no vazio

saturno

Refletida no lago

Orquestrando de longe os líquidos: a gota, o pus, o pântano

Movimentando marés

A vida dos homens.

netuno

A Lua é a alma côncava no corpo da Terra esquecida;

O Sol é a luz convexa do espírito que a tudo ilumina.

jupiter

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As transformações Iniciáticas – primeira parte

Publicado por adi em setembro 5, 2009

Ainda  há muito mistério em torno dos rituais iniciáticos, e também muito mistério sobre os segredos revelados ao iniciado. Nas “ordens iniciáticas” ainda se mantém os ritos, esperando-se que o ritual desperte as verdadeiras mudanças no interior do iniciado. Há também aquela transformação ou iniciação que ocorre naturalmente, onde é o próprio Self  quem conduz as expansões da consciência, ou as transformações que se dá no interior, na psique  do indivíduo.

No processo de Individuação (que é o mesmo que iniciação), a transformação ocorre por conta do próprio inconsciente do indivíduo, e nesse desenrolar, é onde o indivíduo vai se tornando quem realmente é, ou seja, vai se apartando da consciência coletiva, ou da consciência grupal,  de massa, ou das tais egrégoras, e se tornando/conscientizando-se  de “Si-mesmo”.

Vou aqui, citar um capítulo do livro de Jung, “Os Arquétipos e o Inconsciente Coletivo”, que fala sobre a atuação da consciência coletiva sobre o indivíduo.

“Há uma forma de transformação que pode ser chamada de identificação com o grupo. É quando da identificação de um indivíduo com um certo número de pessoas que têm uma vivência de transformação coletiva. É uma situação psicológica especial e que não deve ser confundida com a participação em um ritual de transformação, o qual é realizado de fato diante de um grupo ou público, mas não depende de forma alguma de uma identidade de grupo.0,,11121328,00 É uma coisa bem diferente vivenciar a transformação no grupo do que em si-mesmo. Em um grupo maior, entre pessoas ligadas ou identificadas entre si por um estado de ânimo peculiar, cria-se uma vivência de transformação que tem apenas uma vaga semelhança com a transformação individual.

Uma vivência grupal ocorre em um nível inferior da consciência em relação à vivência individual. É um fato que, quando muitas pessoas se reunem para se partilhar de uma emoção comum, emerge um alma conjunta que fica abaixo do nível de consciência de cada um. Quando um grupo é muito grande cria-se uma espécie de alma animal coletiva. Por esse motivo a moral de grandes organizações é sempre duvidosa. É inevitável que a psicologia de um amontoado de pessoas desça ao nível mais baixo. Leia o resto deste post »

Enviado em A Experiência Mística, alquimia, Anarquismo e Política, Arquétipos, Psicologia, Religião | 54 Comments »

 
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