Em Malkuth comeca o trabalho do despertar da centelha e elevação da mesma atraves dos Sephiroth.
Malkuth pode ser comparada ao mito de Persefone (ou Proserpina entre os romanos), onde a historia do mito narra a violação de Persefone por Hades obrigando-a a seu exílio sob a Terra, assim como também o mito dos gnósticos sobre a queda de Sophia.
Segundo Israel Regardie existem dois métodos básicos de consecução espiritual baseados no uso direto da Arvore da Vida: Um eh a meditação e o outro eh o Ritual. O objetivo de seguir esses dois processos, eh atingir o Coração da Arvore, o centro cristico nele mesmo – Tipheret, onde terah a visao e conversação do Sagrado Anjo Guardião. Os dois métodos acima referidos na verdade sao um. Assim trabalhando ele transcende o que ele pensa ser, ascendendo pelos sephiroth.
Esta subida realiza-se pela coluna do meio ou pilar do meio, isto eh, a coluna central da arvore formada por Malkuth, Yesod, Tiphareth, Daath, Kether.
No sistema oriental isto equivale ao canal Shushuma, por onde eleva-se Kundalini. O Sushuma eh o mais importante dos Nadis e consiste no eixo ou canal central que se situa ao longo da coluna, por onde circula energia neutra. Ele eh conhecido como o sustentador do universo e o “caminho da salvacao”.
Na tradicao Greco-Romana, o caduceu de Thot eh o simbolo do segredo, tanto quanto a Serpente de Bronze erguida por Moises no Egito.
Segundo Israel Regardie, esse metodo de elevacao da Kundalini, ou de conscientizacao da Essencia, se dah atraves da conciliacao das energies opostas na Arvore, essa conciliacao se efetua no pilar central, ou pilar do meio/equilibrio, e eh nesse equilibrio onde nasce o Filho em Tiphereth, ou seja, o dialogo com o Sagrado Anjo, o Self. Essa eh a meta e o objetivo de todo praticante de magia ou de todos aqueles que se dedicam ao auto-conhecimento, pois eh o proprio Anjo quem prepara o adepto para a proxima etapa, a travessia do abismo de Daath.
Daath eh uma sephira oculta, invisivel, que se encontra entre Tiphereth e Kether. Daath representa o abismo que separa a nossa percepcao dual da percepcao una. Acima do abismo de Daath nao ha dualidade, abaixo do abismo tudo eh dual.
Em Daath se encontra toda a hipertrofia de toda a ilusão do Universo e de todas as esferas abaixo dele que vao de Chesed a Malkuth. Eh Visudh Chakra, o Chakra do pescoço, que segundo os Hindus, eh onde sao gerados os pensamentos. Para os Budistas aqui eh onde habita Mara, o senhor da ilusão, ou Chorozon, o monturo de lixo do Universo de cuja travessia nasce o Magister Templi, segundo Crowley. Daath eh considerada uma “esfera que nao eh esfera”, pois sua funcao eh o desviar da atencao da verdade inexprimivel atraves do pensamento. Eh o deserto de Apep, o inimigo de Osiris que precisa ser derrotado por este ultimo para sua ressurreicao. Para os gregos era Hades, o deus do mundo ctônico, para os romanos era Plutão, o Senhor dos infernos. Aqui também estao os demônios da Goetia, os Qliphot, e os 50 nomes de Marduk.
Eh como se houvesse uma dobra na Criacao que criasse a divisao da realidade na ilusao do espaco e do tempo atraves daquilo que foi gerado em Binah, portanto Daath paira sobre o abismo na fronteira entre os mundos da criacao e da formacao.
Abaixo do abismo eh o plano da existência finita e condicionada. O abismo eh uma regiao de tensão permanente entre o Macrocosmo e o Microcosmo, sendo a sede das forcas dissolventes que o profano conhece como demônios. Isso eh referente na bíblia segundo o qual Cristo (o iniciado em Tipheret) deve primeiro “descer aos infernos” Qliphoticos antes de proceder aos ceus das Supernas.
Segundo Crowley, no Abismo todas as coisas existem, realmente, pelo menos em posse, porém não possuem nenhum significado possível; pois elas carecem do substrato da realidade espiritual. Elas são aparências sem Lei. Elas são, pois Ilusões Insanas. Choronzon é o Habitante do Abismo; ele é lá a obstrução final. Se ele for enfrentado com a preparação própria, então ele estará lá para destruir o ego, o que permitirá ao adepto mover-se para além do Abismo. Se não estiver preparado, então o desafortunado viajante será completamente disperso em aniquilação. “O nome do Habitante do Abismo é Choronzon, porém ele não é realmente um indivíduo.”
Para Jung a sombra tem um componente pessoal, formado pelos aspectos da psique individual que sao rejeitados e recalcados pelo ego, mas alem disso, o nucleo da sombra eh uma estrutura arquetipica que atrai esse material e o organiza segundo uma configuracao transpessoal, porque Daath eh a fronteira entre o eu pessoal, imerso no espaco tempo e o plano arquetipico da realidade. Eh a energia aprisionada na sombra que depois de assimilada e integrada pela consciencia, permite que a consciencia se libere do ego e vah em direcao ao nucleo da estrutura arquetipica da sombra, que corresponde ao Demiurgo dos gnosticos ou Choronzon. Essa estrutura arquetipica da sombra equivale a sombra coletica, ou sombra da Anima Mundi. Chorozon equivale ao sistema de aprisionamento que rege a sociedade, cultura e o coletivo, e que eh o nucleo arquetipico que organiza a formacao da sombra bem como do ego. Ele eh como os filtros que estao nos chacras limitando a percepcao da realidade da vida, essa estrutura que tambem eh condicionamento tambem eh equivalente ao Carma individual e coletivo.
Qu
ando da descida da substancia que emana de Binah, para os mundos formativos atraves das sephiroth abaixo do abismo, estes perdem a conexao com a energia espiritual, como que se a cada revestimento de materia, sua forma original fosse diminuida, isso se chama Kenosis, onde o arquetipo diminiu a sua potencia, ateh ficar adormecido na forma da kundalini no corpo humano. Esses mesmos sephiroth isolados se tornam como cascas vazias da essencia espiritual, se tornam como os arcontes do Mito de Sofia. O despertar na base do corpo e a consequente subida eh como quebrar o estado de sistase ou amarras de cada chakra ou sephirah, recuperar a sua potencialidade original e assim a consciencia vai se desvencilhando da irrealidade do ego e do mundo como eh percebido. Na travessia do abismo de Daath, eh onde a consciencia transcende totalmente o ego e o nucleo arquetipico que gera e dah forma a sociedade e cultura como um todo, se unindo a sua Contra-parte Espiritual de acima do abismo, recuperando e preenchendo o Ser de sua plenitude/potencia original. A consciencia se une ao Self e recupera a substancia espiritual, transformando os arcontes em Eons.
Daath tambem eh “Conhecimento”, ou seja, a pura Gnose, e desta forma os demonios sao transformados em Deuses, recuperando a plenitude do Ser.
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Fontes e Ref. “A Arvore da Vida” – Israel Regardie; “A Cabala Mistica” – Dion Fortune; Ocultura; O Franco Atirador.
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Arquivado em: A Experiência Mística, Arquétipos, Cristianismo, Filosofia, Gnosticismo, Hermetismo, Mito, Não-dualidade, Psicologia, Religião, alquimia
Adi,
Primeiro parabéns pela Síntese, porque Daath é mesmo complexa .
Tb vou dar uma dividida nos coments:
- Me corrija em qualquer confusão:
Babalon – Binah – é dita ser a vitória sobre Choronzon, no sentido de dizer que o Adepto venceu, ao cruzar o Abismo, Daath, a Sephira do Conhecimento.
Este conhecimento de Daath é o conhecimento desprovido do real Entendimento que é fornecido mais acima por Binah.
Daath representa o conhecimento intelectual que o iniciado coletou em todas as suas experiências passadas, originadas do seu intercurso com a vida, o mundo, Malkuth.
É a tendência que todo ser humano apresenta em interpretar todos os fenômenos sob a perspectiva do conhecimento adquirido em suas experiências pessoais.
Como Daath se encontra no Abismo, trecho de passagem do humano para o divino, o conhecimento adquirido das experiências humanas do iniciado não o auxiliam a compreender o divino acima, do qual, ele já começa a sofrer influência.
Quanto mais o iniciado se apega as suas próprias experiências passadas, tentando interpretar o novo, o divino, através delas, mais a mente do mesmo se torna confusa e mais ele se debate na angústia daquilo que seu intelecto não consegue compreender.
Este estado de confusão mental, angústia e total desespero diante do incognoscível é o que se conhece como experiência de Choronzon. E, a menos que o iniciado se dispa da sua antiga roupagem, tornando-se um bebê nu e puro, engendrado num ovo, vencendo seu medo do incógnito amanhã e do desconhecido porvir, ele jamais conseguirá alcançar o portal do Divino.
Uma vez tendo vencido Choronzon, o iniciado supera a ilusão fenomênica provocada pelo intelecto, uma das ferramentas do Ego, e alcança Babalon, o Entendimento – Binah. Babalon é a virgem qual o adepto se une após ter vencido o demônio da confusão e dispersão. É a pérola sagrada que deve ser resgatada da boca do Dragão que habita o Abismo: Choronzon.
Na Qabalah, Binah é a sephirah que logo segue a Daath, na escala ascendente.
Agora Crowleyando, ainda, e tentando entender Choronzon, pra te alcançar:
Chama-lo de demônio não significa que ele seja um ser propriamente dito, Choronzon carece de significado ou existência em si mesmo. Choronzon não tem um corpo próprio, sequer uma individualidade.
Ele é a ausência total de forma e, ao mesmo tempo, é toda possibilidade de forma, impulsionado pela mente que lhe propicia a manifestação a partir das coisas que se encontram reprimida em nossa sombra e que, em geral, desconhecemos.
O Conhece-te a ti mesmo é essencial na vitória sobre Choronzon.
Crowley nos diz que Choronzon cria as formas em voz alta: Zazas, Zazas, Nasatanada Zasas. Mas ele é muito mais um estado mental do que um ser constituído e individual. Ele provém da dispersão mental do iniciado, esta é a razão pela qual Choronzon não pode persistir, por muito tempo, em qualquer das formas que adota.
Não existe continuidade ou estabilidade em Choronzon, assim como, não existem continuidade e estabilidade no estado de ausência de concentração mental ou confusão.
Não há existência no Abismo, ou seja, existem formas, mas nenhuma forma é distinta (No-thing = nenhuma coisa: nenhuma coisa distinta da outra).
Choronzon é o demônio que enfrentamos em todos os estados em que a confusão mental nos toma e onde percebemos que o raciocínio analítico não nos é de muita ajuda, pois o surgimento de uma idéia, ou ponto de vista, imediatamente faz surgir o seu oposto e não se chega a conclusão nenhuma, pois tudo carece de real significado.
Choronzon é ilusão, Maya e todas as suas conseqüências levadas a extremo no interior do iniciado.
Muitos consideram que o encontro com este demônio da dispersão só se dá em um lugar pré-determinado e dentro dos limites de um momento específico, buscado através do efeito de algum rito mágico realizado com esta intenção. Porém, sendo a mente uma manifestação natural de todo àquele que vive o encontro com Choronzon pode se dar a qualquer momento sob o influxo de qualquer fator que afete a nossa psique.
Tanto o iniciado, quanto o não-iniciado, têm que, vez por outra, enfrentar e obter a vitória sobre Choronzon.
A diferença é que o iniciado sabe o que busca e está ciente, em menor ou maior grau, dos obstáculos que podem se erguer no caminho da sua auto-realização, enquanto o não-iniciado, a mais das vezes, sofre o processo de modo inconsciente.
A árvore é a árvore da Vida, portanto, todo aquele que vive, está sob a influência dos estados mentais ali delimitados, seja sob o nome Sephiroth, Abismo ou qualquer outro.
A presença de Choronzon se faz sentir, de modo freqüente, nas chamadas Noites Negras da Alma e representa o último grito da “carne”, do ego individual, que está prestes a perder o seu significado em favor da Consciência Divina.
É uma espécie de “pane mental”, um processo de passagem de um estado mental ou espiritual a outro. O intelecto humano em feroz luta contra a Consciência do Deus que em nós habita.
Ele sempre surge quando o sofrimento assombra o iniciado. Por vezes o sofrimento se prolonga durante anos até que o iniciado consiga “abdicar” do seu ego e prosseguir em seu caminho ate Binah, “depositando” seu sangue na Taça de Babalon, e seus ossos na Cidade das Pirâmides.
É dito que, na Cidade das Pirâmides, o nome do iniciado já não é mais, ou seja, o iniciado se liberta do jugo do ego, da personalidade individual.
Ele se torna o mais completo vazio de onde surge a verdade divina, ele se torna um Mestre de Templo e pode, por opção, retornar ao mundo para ajudar a humanidade a se libertar do jugo de Maya.
Isto não significa que o iniciado, literalmente, mate o ego ou que este já não exista mais, jamais devemos esquecer que o ego é essencial ao processo de individuação e de manifestação no mundo de Malkuth.
A morte coroada pela entrada na Gloriosa Cidade em que Babalon é Senhora e Rainha, significa apenas que, uma vez liberto do poder do ego e de seus mecanismos, o iniciado está apto a avaliar o seu eu e personalidade humanos anteriores de forma impessoal.
Ele se torna apto a perceber a ilusão provocada por um instrumento – ego – que funciona centrado basicamente na auto-afirmação e auto-defesa, gerando uma série de conflitos desnecessários.
Tendo dominado dentro de si mesmo, até o ponto crítico – Choronzon -, os últimos resquícios do Desejo, da Hostilidade e da Ilusão – forças motrizes do universo manifesto -, o Mestre de Templo contemplou, refletidas como num espelho, as últimas fantasias projetadas de sua vontade física e primitiva – Choronzon.
Superou a vontade de viver de acordo com os motivos comuns do desejo e da hostilidade, num ambiente ilusório de causas, fins e meios fenomênicos.
Tendo o Mestre de Templo ultrapassado os delírios ou enganos – Choronzon – de seu próprio ego auto-afirmativo, auto-defensivo e voltado para si mesmo, ele conhece dentro e fora o mais pleno entendimento que lhe proporciona paz, tranqüilidade e equilíbrio.
Ele observa a imagem do magnífico e mais perfeito vazio que transcende o pensamento. Pensamento, no qual, se encontram suas próprias experiências do ego em relação à forma, percepções, palavra, concepções e ao próprio conhecimento intelectual.
Ele se eleva, retorna ao seu meio, e habita entre nós como um centro “desprovido de ego” de onde não emana mais o raciocínio intelectual e analítico, mas sim, o princípio do vazio de onde tudo provém, manifesto em toda a sua simplicidade através da palavra do Mestre de Templo.
Em razão disso, é que se diz que é difícil entender a palavra do Mestre de Templo, pois ela provém da simplicidade máxima, do vazio primordial de onde absolutamente tudo que conhecemos é emanado, ele manifesta o segredo germinal do Pai, incompreensível ao intelecto humano.
Retornar ao meio em que habitou, após se elevar, é o verdadeiro “ato compassivo” do Mestre de Templo, pois, por meio dele é revelada a verdade do Pai, e uma profusão de dádivas espirituais fluem deste ser para a libertação de toda a raça humana.
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Aleister Crowley relata seu encontro com Choronzon em “A Visão e A Voz” (“The Vision and Voice”), obra referente a visão e a voz dos Anjos dos 30 Aethyrs Enoquianos, que concebeu em 1909 e.v., no norte do deserto africano, ao lado do poeta Victor Neuburg – Frater Omnia Vincam-, um probacionista da A.•.A.•. .
Bjs
Muito legal, Adi. Parabéns. Volto aqui depois.
Bjs.
Mob.
Fy,
De fato eh um assunto muito complexo, e mais dificil achar material que fale de forma clara sobre isso, porque no fundo as experiencias misticas vai ter sempre um componente “arquetipico” se misturando com a visao de mundo do iniciado, alem de pessoal os detalhes ainda se coloca em simbolos.
Por exemplo, eu acho que para o Crowley, Chorozon tinha um aspecto terrivel justo porque o ego dele era enorme, quer dizer, Daath eh proporcional aos seus proprios medos, a propria visao de mundo, a propria prisao mental, eh exatamente isso que o iniciado vai ter que vencer; a si-mesmo.
Bom, ao que voce falou Fy, e pelo que entendi durante essa pesquisa, eh tudo isso que voce citou sim, soh que mais complicado. Tem haver com conhecimento intelectual, mas alem disso, tem haver com a nocao de um “eu”. Porque, na minha opiniao particular, baseada um pouco na psicologia; depois da conversacao com o Anjo que eh o Self no coracao, ou o mestre interior, a pessoa comeca a ter sonhos com a sombra pessoal, ao mesmo tempo com “um certo aspecto” coletivo da sombra, a cada contato com o Self, praticamente ha um confronto posterior com a sombra. Depois de assimilada a sombra pessoal, que jah eh um aspecto de “desnudar” a alma humana, de conhecer os proprios aspectos sombrios, retirada das projecoes, etc., porque essa parte eh uma preparacao para o “abismo”, e para o confronto com “o nucleo arquetipico” sombrio, porque eh o aspecto “da ilusao” do mundo que provem de Binah, a grande mae geradora. Porque Binah doa toda a substancia que manifesta a vida e proporciona a manifestacao material; mesmo que essa substancia tenha origem divina, ela nao ultrapassa o abismo na ascendencia, e essa substancia alem de ser tudo o que se pode tocar, sentir, experimentar, cheirar, ver, etc; eh de uma certa forma, a que dah a nocao de um “eu” em separado, a que molda nossas percepcoes de si-mesmo e do mundo que nos cerca, equivale ao karma pessoal e coletivo que nos cerca, equivale a sistase, equivale aos nossos mais profundos valores, equivale a todas as nossas crencas boas ou mas, enfim, equivale a tudo aquilo em que acreditamos ser, porque tudo aquilo esta baseado numa nocao de um “eu” em sepado. E essa substancia tem um poder altamente sedutor, magnetico, real, pois ateh entao era toda a realidade que se possuia.
A travessia do abismo, significa transcender totalmente a percepcao baseado num “eu”, perceber que a substancia Divina animica eh o verdadeiro Ser, que sempre esteve presente mas encoberto, que o Verdadeiro Ser eh impessoal, portanto estah em tudo e em todos, estah nele e no mundo, estah na Psique e no corpo, que eh Espirito e Materia simultaneamente. Dessa forma se extingue a dualidade da percepcao, e recupera a realidade ultima da existencia manifesta, onde todas as coisas sao Unas em essencia na diversidade da manifestacao…
Bom, foi dessa forma que entendi Daath.
Fy, o post estah incompleto ateh, porque Daath eh realmente muito complexa; mas eu sei tambem,que eh aqui nos comentarios que se enriquece o post e se coplementa bastante.
Tem mais coisa que eu gostaria de falar sobre Binah, depois coloco, tah.
bjs
adi
Oi again Fy,
Acho que nao tem material melhor sobre esse assunto “Daath” que o que Crowley deixou, de fato nao sabemos se ele realmente chegou lah do outro lado, mas que chegou muito perto, muito proximo dessa realizacao, isso com certeza.
=”Ele é a ausência total de forma e, ao mesmo tempo, é toda possibilidade de forma, impulsionado pela mente que lhe propicia a manifestação a partir das coisas que se encontram reprimida em nossa sombra e que, em geral, desconhecemos.”=
Exato Fy, por isso eh imprescindivel antes deste confronto ter integrado a sombra pessoal; Porque Choronzon representa alem da sombra pessoal; eh o nivel “arquetipico” que organiza a sombra pessoal mas que tem suas raizes profundas no “coletivo”, equivale a sistase ou sistema que aprisiona a sociedade/cultura como um todo.
E transcender toda essa massaroca que envolve nossas percepcoes nao eh nada simples; por isso a loucura eh um risco muito proximo daqueles que ousam atravessar o abismo.
E o perigo estah em: Perceber que o “eu” eh irreal mas nao perceber a irrealidade do mundo isso leva a loucura, ou perceber que o mundo eh irreal mas nao perceber a irrealidade do “eu”, nesse caso o eu se sente um Deus e acha que o mundo existe para ele.
Alem do que a consciencia, por mais que ela se expanda, eh muito perigoso incorporar a “Totalidade” do Self, mesmo que essa Totalidade do Ser numa consciencia esteja dividida nas varias monadas/centelhas, ainda eh uma potencia Impessoal, Cosmica, alem de nossa capacidade humana de compreensao, por isso mesmo o perigo.
Segundo o Budismo Tibetano, esse padrao que limita o ser, estah se desfazendo e se refazendo a todo instante, porque como vimos choronzon carece de forma, ao mesmo tempo que eh todas as formas pensamentos que estao na mente a pertubar….
Por isso tambem eh importante nessa longa jornada de auto-conhecimento o dominio da mente e dos pensamentos que levam a mente de um lado a outro…
Por esse motivo eu nao diria que o problema eh tao somente a mente racional, mas os pensamentos desconexos que nao param e que querem atencao pra si, desviando da real percepao…
Fy, esse assunto eh muito louco, e quando comecamos a pensar sobre, muita coisas vao fazendo sentido, vao se ligando… por isso que as energias que emanam de Binah eh a chave pra entender essas mesmas energias no retorno, e como estah ligado com Malkuth/A Noiva “Virgem”, e sobre magia sexual, porque este tambem eh o segredo da uniao com Babalon…
Mas este tambem eh assunto muito complexo e pra outro post.
bjs
adi
Carissimo Mob,
“Muito legal, Adi. Parabéns. Volto aqui depois.’
Obrigado, muito embora… piriri, pororo, se sabe, neh?… a gente soh dah uma enxugada nos “entendidos”… e dah um pitaco aqui…
Pra mim eh um assunto apaixonante…. gostoso da gente ficar discutindo aqui, trocando e acrescentando muito pro nosso aprendizado, seja na nossa concordância ou discordância, sempre eh muito bom.
bjs
adi
Tao muitos legais esses posts sobre a Cabala. Nao quer postar sobre o Ritual do Pentagrama e Pilar do Meio?
bjs!
Oi Filipe,
Voce acredita que eu nao tenho esses rituais, tambem nunca pratiquei? Verdade. Entao acho que eu nao seria a pessoa ideal pra escrever sobre esses rituais.
Voce jah praticou?
bjs
adi
Adi,
Tou fazendo a seguinte leitura da Árvore da Vida: abaixo de Daath está o mundo sensível que nossa consciência pode apreender, ou tudo o que o ego-self pode um dia conhecer, mesmo que no presente desconheça ou que nunca venha a conhecer, é o mundo apreensível; acima de Daath é, estará sempre, o inconsciente inapreensível…
Daath é realmente abismo, pois é mergulho no desconhecido, no que não faz sentido algum e no que nunca fará: morada dos mistérios divinos, além humanos, quem sabe para Deus em toda sua magnitude… Mas para haver real mergulho em Daath e não sermos aniquilados pelos não-sentidos do inconsciente (o que equivaleria para o ego ser tomado pela loucura alienante ou para o sentido religioso do místico ser fulminado pela totalidade, virar pó ou pedra), para emergir do outro lado, incólumes, embora transformados (de uma miríade de fragmentos em uma unidade composta), temos de nos preparar antes… Não vejo tanto como uma questão de coragem, pois a vida nos encaminha, por bem ou por mal, para esse caminho, é tão natural quanto a vida nos escorrendo entre os dedos… Mas, ao mesmo tempo, e como tudo o que envolve o inconsciente/totalidade, envolve paradoxos, é perigoso, ou como diz o Jung é processo “contra naturam”, por isso tb doloroso. Para mergulhar “bem” em Daath, digamos, acho que mais que coragem, embora coragem nunca possa faltar, envolve sofisticação de preparo, quero com isso dizer algo mais que puro e simples “treino”, algo que envolva técnica sim, mas tb sensibilidade, fluxo. Como eu vejo, primeiro temos de descobrir quem somos (do oráculo de Delfos é o decantado “conhece-te a ti mesmo”, que em linguagem junguiana quer dizer > ter um ego > perder esse ego > ser ego-self > humano “integrado” > “individuado” – o emprego das aspas é porque não entendo essas categorias de ser como absolutas) para depois esquecer quem somos, pois só se despindo de toda lógica e dos valores adquiridos do “lado de cá” é que podemos realmente entrar no “mundo de lá”. De outra forma seria mera continuação da vida consciente e não haveria a real transmutação. Que é o que se espera e o que efetivamente acontece na “Grande Jornada”. Será que existe algo mais perigoso, fascinante, paradoxal, transformador, fonte de vida e de morte, divino, que o inconsciente? não há. A jornada da alma parece simples, e é, mas somente para os sábios, o problema é que parece que leva milênios ser sábio.
E Daath é o portal…
Então é isso, minha amiga, o instrumento de que me valho para “compreender” a Cabala é a psicologia profunda. Ao mesmo tempo a astrologia é a linguagem simbólica mais valiosa… quer dizer, é o que tenho estudado. Veja: os sete planetas da astrologia medieval ou antiga (Sol e lua, mais os cinco planetas visíveis a olho nu: Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter e Saturno) são os véus de Ísis, o mundo sensível que atravessamos e, um a um, ao passar por eles, vamos nos descobrindo (com o duplo sentido de autoconhecimento e nudez) para poder finalmente chegar ao intangível – para o homem antigo eram os planetas conhecidos quando eles desapareciam de suas vistas e, além do horizonte, iam para o que o homem então concebia como o submundo, o inimaginável, o misterioso reino da morte. Hoje, que temos a ciência para nos dizer que os planetas não vão para o Hades quando desaparecem de nossas vistas, simplesmente eles desaparecem do nosso campo de visão, quem cumpre esse papel de representar o além são os planetas que a astrologia moderna chama de transpessoais – os praticamente recém-descobertos, se levarmos em conta o tempo relativo de nossa civilização, os, enfim, apenas visíveis através dos telescópios, os planetas Urano e Netuno e o planetóide Plutão.
Acho que essa realocação dos planetas pelas sephirots, levando em conta a astronomia e astrologia atuais, pode ser considerada um sacrilégio do ponto de vista de quem estuda ou vê apenas o valor da tradição na cabala, mas é uma leitura perfeitamente possível… Afinal, a gente está sempre adaptando o antigo ao novo, às novas descobertas. E assim como a psicologia, notadamente em Jung, se deixou permear por mitos e símbolos religiosos obscurecidos pelo tempo, quero crer que a tradição esotérica também se deixe permear pelas recentes descobertas da ciência, pensando em toda a psicologia profunda, a astronomia, a física quântica, entre outras… Uma ciência ou uma religião, enfim, qualquer conhecimento que pare no tempo, é algo que deixa de existir para o presente, e mais serve aos arcontes mortos da reprodução do que aos arquétipos vivos. Não sou contra a tradição, sou contra a tradição isolada no passado.
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Estou lendo e trago alguns fragmentos de um livro que é exemplar no sentido de misturar ciência e mito, astronomia e astrologia, presente e passado, imaginação e realidade:
“Vênus recebeu uma infinidade de nomes. Era chamada de Ishtar na Caldéia, Nabu na Babilônia, Anahita pelos persas, Benu pelos sumérios, Astarte e, depois, Afrodite pelos gregos – todas denominações femininas. Os gregos também reconheciam o aspecto dual de Vênus, referindo-se a ela como Phosphoros na manhã e Hesperos à noite, embora não distinguissem dois corpos celestes diferentes. Mais tarde, os romanos nomearam esses aspectos como Lúcifer e Vésper. Na antiga Mesoamérica, Vênus era um homem, Quetzalcoatl (serpente emplumada); para os maias, ele era Kukulcán. Nossos ancestrais havaianos chamaram o planeta de Hoku-loa, e os taitianos de Ta’urua.
Estrela Vespa, Estrela Vermelha, Grande estrela, Estrela Solitária, Senhor do Amanhecer, Lar da Deusa do Amor, Proclamador, Companheiro do Ébrio Real, Portador da Luz, Satã – todos esses títulos foram dados a essa única fonte de luz por pessoas imaginativas de todas as épocas e cantos do mundo. Mas o que esses nomes significavam? De onde vieram? Portador de Luz e Senhor do Amanhecer são compreensíveis pois Vênus frequentemente precede o Sol nascente. Mas por que Vênus foi ligada aos mais altos ideais de beleza feminina, amor, sexualidade, morte, ressurreição, engano e guerra? Que propriedades tangíveis do planeta Vênus poderiam ter provocado as histórias nas quais ela recebeu o status de estrela?
Pelo menos parte da nomenclatura de Vênus pelo mundo vem de uma curiosidade natural sobre como é a vida após a morte. Para onde o Sol, a Lua e as estrelas vão quando somem no horizonte ocidental? Que jornada eles executam entre seu desaparecimento a oeste e seu reaparecimento a leste? O mundo invisível, com frequência imaginado como o lugar das almas que partiram, o lado oculto da natureza humana para sempre oculto de nossos olhos, desempenhava um papel muito importante nas antigas cosmologias.
(…)
“As sugestões da descida de Vênus para o mundo inferior são uma parte tão integrante e duradoura da mística da estrela no antigo Oriente Médio que vale a pena elaborar um pouco mais tanto a imagem quanto o significado. Desses povos, os gregos e os romanos (e nós, atualmente) adquiriram posteriormente a imagem popular de Vênus como a deusa do amor.
(…)
“No total, havia sete objetos em movimento no céu (o Sol, a Lua e cinco planetas visíveis), cada um em sua própria concha esférica entre as estrelas. Isto explica por que se precisaria passar por sete portões para entrar no mundo sob a terra. Se voc~e se sentasse ao lado de uma fogueira antiga, contando história do crepúsculo e observando Vênus passear pelo céu, poderia de fato ter visto a deidade tornar-se cada vez mais pálida, despindo-se de seu brilho conforme ia descendo em direção a seu confronto subterrâneo. Vênus na história tinha exatamente a mesma aparência que Vênus no céu quando esta se põe.”
CONVERSANDO COM OS PLANETAS: Como a Ciência e o Mito Inventaram o Cosmo – Anthony Aveni
Ola minha amiga,
Eu jah estava com saudades de voce e da Fy, e claro de todo o pessoal que estah sempre dando uma passadinha aqui nesse cantinho Anoitan… estava tao quieto.
Sem,
Eh isso mesmo, eu tambem me utilizo da psicologia pra interpretar a Cabala, bem como os mitos. E nisso Jung nos deixou um grande legado, uma maneira mais acessivel, talvez essa seja a linguagem dos arquetipos em nossa epoca.
Eh bem por ai que entendo tambem a Daath, talvez um pouco mais pro lado mistico, jah que minha visao de mundo tem por base o espiritual;
Pra mim tambem o simbolismo da astrologia eh fundamental pra entender essas forcas da criacao, em todos os sentidos, pois mesmo fisicamente somos poeira de estrelas, que dirah no sentido “iluminador” ou de radiancia e emanacao.
Sem, Venus eh riquissimo em simbologia, e por algum tempo fiquei como que fascinada pelo simbolismo a Ele ligado, principalmente no sentido de Lucifer-O Portador da Luz e Satan-O Opositor. Segundo os esoteristas Venus estah ligado tambem a “mente”, aquela que eh a portadora da consciencia, mas que nao eh ela mesma quem ilumina, mas eh a mente que eh iluminada pela intuicao. No esoterismo se diz por iluminacao, nao o estritamente racional, argumentativo, que vem do intelecto, mas algo superior ao intelecto; eh a “Intuicao” na mente, onde o conhecimento eh diretamente da Fonte derramado na mente, sem intermedio do intelecto ou racional. Esse conhecimento soh pode ser conhecido na mente e atraves da consciencia que o relaciona e o mistura com os aspectos da propria vivencia. Essa deveria ser a transformacao interior, a tal da sabedoria de vida.
Ainda, no esoterismo se diz que Venus estah tao proximo do Sol que se confunde com ele, ou seja, ele eh confundido como sendo o que emana luz e nao como o que porta luz, e nesse sentido ele se transforma em Satan o opositor, aquele que se acha como sendo a propria luz e razao da existencia, nao reconhecendo a fonte, o Sol que eh de fato o Emanador/Self. Em outras palavras, Venus/Lucifer e Satan eh o simbolo do proprio ego, aquele que eh o meio pelo qual o Self pode ser conhecido e expressado no mundo, mas que tambem pode se tornar opositor no sentido do esquecimento da Verdadeira Fonte de onde eh emanada a Luz.
Eu gosto muito desse assunto, pois dai vem toda a ideia de bem e de mal, das polaridades consciencia/inconsciencia, luz/trevas…
bjs
Olá Adi e todos,
muito interessante esse debate, foi o melhor que encontrei na internet sobre essa questão tão misteriosa para quem estuda a árvore da vida.
existem alguns pontos que creio não terem sido ainda abordados e poderiam enriquecer a discussão:
começo pelo fato – ou inferência pelo conhecimento de outros mais avançados – de que é no Abismo que se faz ou não a ‘virada’ para o ‘outro lado’. p.ex. se um indivíduo nasce do lado ‘de luz’ de acordo com seu karma, em daath ele tem a possibilidade de mudar seu processo totalmente, indo para o ‘lado de sombra’ chamado por alguns de ‘irmãos negros’ em contraposição – e fazendo o equilibrio necessario ao Universo – aos irmãos brancos ou adeptos brancos.
o que eu não entendo bem, é se o indivíduo que muda seu processo indo para algum dos lados contrarios a seu desenvolvimento anterior, continua em Daath ou faz um mergulho que não o leva para a tríade superna e sim para a Árvore Inversa a sua própria Árvore.
o que também não entendo é que Crowley disse que não é possivel permanecer em Daath muito tempo, o indivíduo é impelido para cruzar o Abismo ou permanecer em Daath e ser aniquilado, Crowley não fala da ‘virada’ por assim dizer para o lado negro ou do negro para o lado dito ‘de luz’.
É um tópico interessante.
Olá Gerig,
Seja bem vindo aqui no Anoitan.
” muito interessante esse debate, foi o melhor que encontrei na internet sobre essa questão tão misteriosa para quem estuda a árvore da vida.”
Obrigado. Eu também acho um assunto fascinante e misterioso. Sim, ficou faltando muitos assuntos pra serem abordados e melhor compreendidos, e o melhor é que sempre se pode enriquecer o post com os comentários.
“…de que é no Abismo que se faz ou não a ‘virada’ para o ‘outro lado’. p.ex. se um indivíduo nasce do lado ‘de luz’ de acordo com seu karma, em daath ele tem a possibilidade de mudar seu processo totalmente, indo para o ‘lado de sombra’ chamado por alguns de ‘irmãos negros’ em contraposição – e fazendo o equilibrio necessario ao Universo – aos irmãos brancos ou adeptos brancos.”
Quando estava escrevendo o post li bastante a respeito dos Qliphot, e a respeito da Árvore da Vida inversa. É dito que os qliphot são como “cascas ou cascões”, são desprovidos de substância da própria vida, ou seja, são desprovidos de essência ou de Alma. Regardie ainda diz que os qliphot são como o “lixo”, o descarte de substância ou um tipo de matéria sem consciência. Na minha opinião, todo indivíduo nasce com partes de luz e sombras em si-mesmo, não nasce do lado da luz, ou do lado das sombras. Vendo dessa maneira está em nós a Árvore da Vida (energias evolutivas) bem como a Árvore da Morte (energias involutivas).
Quando da travessia do abismo, o indivíduo confronta em termo de “potência” proporcional ao Self, ou a Deus, só que de uma substância que exerce extrema atração, sedução, parece ser real mas é pura ilusão, tem relação com o ser em separado, com “eu”, ego. O perigo está em que essas energias, arquetípicas que são, têm enorme força podendo desestruturar totalmente o ego e a consciência, resultando em loucura, e nesse caso o indivíduo se perde nas profundezas do seu próprio abismo. No caso de se tornar um mago negro, é quando o ego é estruturado demais, e ao invés do ego se esvaziar, ele se identifica com Deus fortalecendo ainda mais a noção de um “eu” em separado, um “eu divino” totalmente em separado, crendo que o mundo existe para satisfaze-lo, onde ele se utilizará dos “poderes” totalmente de forma egoísta… se utilizar dos poderes pra satisfazer o “ego” é o que se pode chamar de magia negra, ou de mago negro.
Isso significa o sujeito se deslocar totalmente para o lado negro da força, ou para a Árvore da Vida inversa nele mesmo.
Na tríade superior a consciência se desvencilha totalmente do ego, de um “eu” em separado… a consciência é lá alguma “coisa” que se percebe como todos ao mesmo tempo que continua sendo “algo” que percebe essa totalidade.
Daath é somente um estado de consciência, assim como todos os demais Sephiroth, só que em Daath no confronto final com Choronzon, quando se vence a atração das forças ilusórias, o sujeito cruza o abismo e vai direto para os braços da Essência de cada um (Babalon) ou a divindade, ou Pai no céu, ou Deus, Paraíso, onde não há mais dualidade,e se une a essa força… quando o sujeito não consegue transcender essa força ilusória do ego representado por Choronzon, a consciência do ego pode ser aniquilada e o indivíduo se perder em seu próprio inferno…
Por isso se diz que é a parte mais perigosa do caminho.
Não sei se ficou claro, pois é bem complicado esse assunto. Eu comecei escrever um post sobre essas energias que são descritas “lunares” (involutivas) em oposicao a “solar” (evolutivas) na Árvore da Vida, que também está relacionada com a Luz Astral (substância da magia e criação), com formas pensamento, e que é Maya-ilusão, mas Maya também como o príncipio criador cósmico de Bhraman… ah, e com relação a Karma também.
abs
- Adi,
- Passeando um pouquinho pela Dion, Crowley, MacGregor Mathers, mais interpretações:
Os Quatro Mundos da Cabala:
Atziluth- Mundo Arquetípico, dá a luz aos três mundos posteriores. Cada um dos 4 mundos possui uma repetição da Sephirot (em cada um há uma completa Árvore da vida), mas em escala descendente de brilho. Em aspectos gerais engloba apenas a Sephira Kether.
Briah ou mundo da Criação- Aqui as Sephirot se encontram num estado mais limitado, mas ainda puras, sem alguma mistura adicional de matéria. Engloba Chockmah e Binah.
Yetzirah ou Mundo da Formação- e mundo dos anjos. Embora menos refinado em substância, é ainda sem matéria. Engloba o Pequeno rosto ou: Chesed, Geburah, Tiphereth, Netzah, Hod e Yesod.
Assiah ou Mundo da Ação- é também chamado o mundo das cascas, OVLM HQLIPVTh, Olahm Ha-Qliphoth, que é o mundo da matéria, feito de grossos elementos de outra árvore.
Este também é a residência de maus espíritos que são chamados “as cascas” pela Qabalah, Qliphoth, cascas materiais. Os demônios também estão divididos em dez classes, e têm habitações apropriadas.2
MacGregor Mathers o classifica como o Mundo das Cascas ou Qlipoth, mas não é bem assim.
Na verdade Assiah é o Mundo Material, onde todas as dualidades estão afloradas. Então dependendo das ações do homem, ele pode mergulhar tanto na Árvore da vida quanto na Árvore da Morte, pode pender tanto para bem quanto para o mal.
Então Assiah não é o mundo de Qlipoth, mas o único dos quatro mundos onde “se tem passagem” ao Reino das Qlipoth.
Lembrem-se que cada um dos quatro mundos tem sua própria completa Árvore da Vida, então é a completa Árvore da vida, sob a vibração de Assiah, a única das digamos 4 árvores que possui toda uma Árvore da Morte em oposição a si mesma.
É fácil: o mundo material implica vida material, a vida material cessa com a morte (diferente do mundo espiritual onde há vida eterna); então havendo vida e morte, há a Árvore da vida e a Árvore da Morte.
Em aspectos gerais engloba a Sephira Malkuth. Ou seja é no Reino, que temos todas as nuanças de bem e mal, vida e morte.
Daath:
É o conhecimento no sentido bíblico, de Adão conhecendo Eva e de Eva conhecendo Adão. É ao mesmo tempo o ato exterior e o ato interior do partilhar. É a união na qual cada parte é simultaneamente ativa e passiva na busca da realização.
Daath paira sobre o Abismo, na fronteira entre os Mundos da Criação e da Formação.
Como é a esfera do Conhecimento, aqui a alma e a mente se tocam e compartilham uma relação amistosa.
Daath representa o relacionamento íntimo entre a Sabedoria (Chockmah) criativa, ativa e passiva da energia masculina, e a Compreensão (Binah), receptiva, ativa e passiva da energia feminina. Nesta intimidade.
A identidade de cada parceiro jamais se perde, assim como a luz e a sombra encontram-se sem se misturar; é uma parceria que jamais pode acontecer em isolamento. Em suma, Daath é o berço dos relacionamentos.
O Conhecimento oculto em Daath provém do ato de partilhar sem ânsia de resultado, o partilhar desinteressado, o conhecimento alcançado sem se dar nada em troca.
Esta característica de Daath me faz lembrar da seguinte passagem de Liber Al: Meu número é 11, como todos os números deles que são de nós.
A Estrela de Cinco pontas com um Círculo no Meio, & o círculo é Vermelho. Minha cor é negra para o cego, mas o azul & ouro são vistos pelo que vê.
Além disso eu tenho uma secreta glória para os que me amam. (I:60) Mas amar-me é melhor que todas as coisas: se sob as estrelas noturnas no deserto tu presentemente queimas meu incenso perante mim, invocando-me com um coração puro, e a chama da Serpente aí dentro, tu deverás vir a deitar um pouco em meu seio. Por um beijo tu então estarás querendo tudo dar, mas aquele que der uma partícula de pó deverá tudo perder nesta hora (I:61).
Neste caso Nuit é o complemento feminino do Iniciado e também a fonte de Conhecimento.
Daath é o berço do amor físico, já que a vida humana tem início no ato sexual. A partilha voluntária, o Amor sob Vontade, é a chave para o aflorar do mais profundo mistério da criação.
O amor verdadeiro nada conhece além do próprio amor. Há três espécies de amor: o amor físico; o amor das emoções, que faz parte do desejo e é um aspecto externo do amor; e o amor espiritual (Ágape), que é inspirado pelo Conhecimento (Daath) alcançado através da Sabedoria (Chockmah) e da Compreensão (Binah).
Com a união jubilosa destas três formas de amor, compreende-se Daath.
O Amor sob Vontade é a chave de Daath, pois a totalidade do Amor é a matéria-prima de que é feito o Universo.
Luiz Muller
Notas:
1 e 2- MacGregor Mathers, em “Introdução à Cabala Desvelada”.
- um pouquinho de:
A Cabala Mística. Dion Fortune.
Cabala- O Caminho da Liberdade Interior. Ann Williams-Heller.
Liber Al vel Legis- tradução da Ordo Templi Orientis Brasil.
Introdução à Cabala Desvelada- Samuel MacGregor Liddel Mathers.
Oi Fy,
Quem sou eu pra discordar de Dion Fortune e MacGregor, mas já discordando
, sei lá eu não entendo simplesmente a matéria ou corpo físico como cascas.
Tanto que se nomeia o Reino como matéria virginal, e é nesse sentido que Malkuth o reino é a noiva preparada para para o Rei em Kether, e sim, está implicito nesse simbolismo a subida da kundalini e união sexual com a Essência (ou divindade) através do orgasmo místico; é o casamento da matéria e do espírito…. então nesse sentido, eu não concordo com Assiah sendo mundo das cascas ou qliphot.
Eu gosto da visão de Regardie, ele diz que há somente uma Árvore da Vida, e que essa mesma árvore está nos quatro mundos como estados de consciência.
Os qliphot recebem o nome de sephiroth malignas e adversas, porque não são princípios ou fatores independentes no esquema cósmico, mas sim o aspecto desequilibrado e destrutivo. Não existem na verdade duas árvores, nem quatro, mas apenas uma, e uma qlipah é o reverso de uma moeda cujo o lado oposto é uma sephirah.
Por este motivo dá pra associar o mundo qliphotico com o núcleo arquetípico da sombra (Jung), onde os conteúdos reprimidos da sombra necessitam ser assimilados pela consciencia. Os qliphot estão associados aos demônios da Goécia e estes são os mesmos que a sombra reprimida, que também pode ser associada a sístase ou ego; porque é deste aprisionamento ou repressão que resulta dos anjos se tornarem demônios (em linguagem mística), ou de Lúcifer se transformar em Satã.
“É fácil: o mundo material implica vida material, a vida material cessa com a morte (diferente do mundo espiritual onde há vida eterna); então havendo vida e morte, há a Árvore da vida e a Árvore da Morte”
Não é bem assim, a vida material cessa com a morte, mas a consciência identificada somente com a matéria não reconhece o mundo espiritual e nem a vida eterna, e retorna novamente pra uma nova construçao egóica, pra um novo nascimento; esse é o eterno retorno, porque a consciência só pode perceber o plano espiritual aqui na matéria, e não somente isso, mas perceber que tanto matéria como espírito são um só.
” O amor verdadeiro nada conhece além do próprio amor. Há três espécies de amor: o amor físico; o amor das emoções, que faz parte do desejo e é um aspecto externo do amor; e o amor espiritual (Ágape),…”
O amor verdadeiro ou espiritual é infinito, ilimitado e sem restrições, sem condições… é puro amor incondicional que a tudo penetra… é assim que somos todos amados….
Fy, só vocês meus amigos, pra me trazer de novo pro centro, pra me fazer lembrar de coisas boas que valem a pena lutar sempre…
bjs
Olá adi e todos.
Muito legais essas considerações todas. Ainda as estou digerindo. Gosto muito e acho que faz muito sentido a correlação entre o Abismo e a Sombra de Jung. Um velho iniciado me disse quando perguntei sobre Daath e o Abismo exatamente isso. Que no Abismo o iniciado precisa lidar com sua sombra. Não sei se ele falou no sentido Jungiano do termo mas parece que sim.
Ao que parece Daath também tem um aspecto que não foi mencionado e aqui vou trazê-lo novamente à discussão: a DISPERSÃO. É bem sabido para quem já leu bastante de Crowley que ele identifica Choronzon como sendo a Dispersão, ou pelo menos como sendo o agente (na própria Consciência do Adepto) que o leva para a dispersão.
Seria interessante analisarmos o que essa palavra pode significar. Em termos mentais, DISPERSÃO pode ser relacionada a uma FALTA DE FOCO, DIFICULDADE DE CONCENTRAÇÃO.
Um dos motivos que me fez parar desde o início de 2005 de fazer alguns rituais que envolviam certas práticas foi o resultado que eles me trouxeram de uma dispersão mental. É como se minha mente tivesse sido expandida, porém para expansão é necessário um igual poder de consciência, isso é, de PRESENÇA, para que sua CONSCIÊNCIA consiga cobrir toda a nova esfera. Me parece ser algo como aumentar uma bola de tamanho, voce pode aumentá-la em 3 vezes, digamos, mas precisará de um EQUILIBRIO muito forte para conseguir lidar com a nova ‘bola’, pois essa conterá muito mais informação. Nesse sentido, será que é por aí que Daath é ‘Conhecimento’? No sentido de INFORMAÇÃO, que pula do inconsciente para o consciente, e se não estiver preparado o adepto pode acabar se dissolvendo por assim dizer, o que equivaleria a dizer, em termos ‘científicos’, tornar-se esquizofrênico. O núcleo de seu Ego teria sido dividido em vários. Isso me lembra o mito de Osíris que teve seu corpo cortado em muitas partes por Seth. E Ísis então junta as partes de Osíris novamente. Seria Isis o Amor então? Enfim, não quero colocar questões demais aqui pra não ficar chato. Depois quero abordar outra questão de Daath como sendo um núcleo de Força Centrífuga ou Centrípeta. Parece-me que Daath é força CENTRÍFUGA, concentradora, concentra energia no Ego. Vejo o Mago Negro em Daath como alguém que concentra sua energia em seu próprio Ego de modo muito centrífugo. Mas como pode ser CENTRÍFUGA se é aí que ocorre Dispersão? Como pode haver Dispersão num estado de consciência em que uma força unificadora interna prevalece? Questão legal!
Abraços a todos.
Oi Gerig,
Olha realmente “grandes questionamentos”, bem interessantes e profundos.
Por isso vou responder amanhã ou depois, com mais tempo disponível, pra formular melhor.
abs
Olá Gerig,
“É bem sabido para quem já leu bastante de Crowley que ele identifica Choronzon como sendo a Dispersão, ou pelo menos como sendo o agente (na própria Consciência do Adepto) que o leva para a dispersão.”
Eu acho que DISPERSÃO na travessia do abismo de Daath significa como que a consciência do “eu” se perder no mar de miragens, como que uma dissolução do “eu” mas sem conseguir concretizar ou realizar a travessia, nesse caso, como se a consciência dispersa, sem um centro de apoio (ego), fosse invadida por conteúdos psíquicos diversos; em linguagem mística poderíamos dizer possessão por espíritos os mais diversos – ou loucura mesmo.
” Nesse sentido, será que é por aí que Daath é ‘Conhecimento’? No sentido de INFORMAÇÃO, que pula do inconsciente para o consciente, e se não estiver preparado o adepto pode acabar se dissolvendo por assim dizer, o que equivaleria a dizer, em termos ‘científicos’, tornar-se esquizofrênico”
É mais ou menos isso, o poder do inconsciente representa a totalidade da realidade, é como um lago querer incorporar o oceano, explodiria.
Agora, Daath é conhecimento no sentido de conhecer a realidade da existência, no sentido de que todos os condicionamentos que limitam a existência se dissolvem, como a retirada de um véu que encobre a realidade; conhecimento no sentido de que essa realidade é livre de opostos – por isso se usa dizer que Deus é hermafrodita, i.e, contém em si mesmo a potência feminina e masculina do universo. Esse é o segredo do Templo, é a união dos opostos, a divina Sofia ou pura gnose.
“O núcleo de seu Ego teria sido dividido em vários. Isso me lembra o mito de Osíris que teve seu corpo cortado em muitas partes por Seth. E Ísis então junta as partes de Osíris novamente. Seria Isis o Amor então? ”
Há duas maneiras de abordar isso:
- O mito de Osíris tem um significado cósmico, onde o Deus despedaçado simboliza a “geração”, a gênese ou criação.
-Já essa simbologia no microcosmo, representa a quebra dos padrões de condicionamentos, e uma nova configuração que permitirá a expressão do Self.
Essa simbologia do despedaçamento do corpo é recorrente nas iniciações Xamânicas.
“Seria Isis o Amor então?”
Ísis representa a Grande Mãe, como Binah, aquela que organiza e mantém a forma.
abs
Muitíssimo útil todos os textos. Manifesto desde já profundo sentimento de gratidão aos autores pelo conhecimento absorvido.
Adi, gostaria de lhe agradecer pela discussão, e também a Fy e aos que estão participando.
Bom, vou botar uma lenha na fogueira, risos, a meu ver o Crowley foi um exemplo de alguém que tentou cruzar o Abismo e não conseguiu, visto os relatos de que ele teria morrido louco. No entanto, deixou um enorme legado riquíssimo.
Ainda sobre Daath. O conhecimento de Daath seria então a libertação da mente de todos os condicionamentos? Eu pratico o Budismo Tibetano, vejo pela sua figura que usa aqui que você conhece o mesmo. Seria o Abismo um nível de iluminação espiritual? A meu ver o Buddha foi além de Daath e além de Kether mesmo, até Ein-Sof-Aur que ele designou como O Vazio.
Existe alguma correspondência no Budismo à travessia do Abismo? Eu me pergunto isso frequentemente e ainda não a encontrei.
Saudações fraternais,
Gerig
Oi Gerig,
“Adi, gostaria de lhe agradecer pela discussão, e também a Fy e aos que estão participando. ”
Não precisa agradecer meu caro, é um prazer participar aqui.
“a meu ver o Crowley foi um exemplo de alguém que tentou cruzar o Abismo e não conseguiu, visto os relatos de que ele teria morrido louco. No entanto, deixou um enorme legado riquíssimo.”
Concordo contigo, também acho que ele não conseguiu concretizar a travessia, tanto que morreu viciado em heroína, i.e., não conseguiu se livrar do vicio adquirido quando criança (médicos lhe receitaram como tratamento pra asma). Mas sem sombra de dúvida, ele deixou um grande legado, um grande conhecimento.
“O conhecimento de Daath seria então a libertação da mente de todos os condicionamentos? ”
Na minha opinião é isso que simboliza a travessia do abismo de Daath, simboliza a mente que se libertou dos condicionamentos, condicionamentos que são o karma, bem como a sístase, e o ego. Seria isso a pura Sofia, a gnose ou conhecimento da realidade sem condicionamentos, sem distorções.
“Eu pratico o Budismo Tibetano, vejo pela sua figura que usa aqui que você conhece o mesmo. Seria o Abismo um nível de iluminação espiritual? A meu ver o Buddha foi além de Daath e além de Kether mesmo, até Ein-Sof-Aur que ele designou como O Vazio.”
Eu gosto muito do Budismo Tibetano. Na minha opinião o Budismo é uma linguagem para os tipos de mentes introvertidas, onde a enfase é a meditação. Sim, pra mim a travessia do abismo seria um nível de iluminação. Segundo o esoterismo é a iluminação de Visudhi chacra, ou laríngeo, isto é, o efeito do contato com as energias divinas se dão nesse chacra. Segundo o Crowley depois de Daath a consciência vai direto pra Babalon e se une a sua contraparte espiritual. Já segundo outras escolas esotéricas, ainda resta as iniciações doss Chacra Ajna/frontal e Sahashara/topo da cabeça.
“Existe alguma correspondência no Budismo à travessia do Abismo? Eu me pergunto isso frequentemente e ainda não a encontrei. ”
Você assistiu ao filme sobre “O pequeno Buda” de Bertolucci, com o Keanu Reeves?? Tem uma parte que mostra a iluminação de Sidhartha Gautama, onde o demônio Marah tenta a Sidhartha com vários tipos de ilusões, este não se deixa levar, mantém a mente firme e se ilumina. Eu acho que essas tentações são equivalentes a travessia do abismo de Daath.
Saudações
adi