Tudo é mito

Mitos são uma expressão das estruturas cognitivas fundamentais que usamos para apreender e moldar a nossa experiência do mundo – ou, o que dá no mesmo, para construir a nossa percepção da realidade. Kant chamou essas estruturas de “categorias apriorísticas do conhecimento” e Jung denominou-as de estruturas arquetípicas (que não devem ser confundidas com o arquétipo em si, que é outra coisa, mais próxima da Ding an sich kantiana).

A psicologia cognitiva e as neurociências vêm de demonstrar as bases neurobiológicas dessas estruturas, que estão enraizadas em nossos esquemas corporais. Embora a atualização concreta das estruturas arquetípicas dependa do contexto social, histórico e cultural, as estruturas propriamente ditas são inatas e universais.

Nas mitologias tradicionais, as estruturas arquetípicas são personificadas sob a forma de deuses e heróis, cujos feitos representam (de forma simbólica e/ou alegórica) as interações dessas estruturas entre si, com a consciência individual e com o mundo. Mas qualquer tradução das estruturas cognitivas fundamentais sob uma forma narrativa pode ser considerada um mito. Uma vez que toda a nossa experiência da realidade é necessariamente mediada por nossas estruturas cognitivas  e que o processo cognitivo elementar da nossa mente, da qual todos os outros derivam, é a organização da experiência sob a forma de narrativa, é fácil concluir pela ubiquidade do mito. Do Gênesis ao Apocalipse, da Odisséia de Homero ao Ulysses de Joyce, dos romances de Sidney Sheldon às narrativas abstratas da ciência – tudo é mito. Como poderia ser de outra forma? olhamos com os olhos que temos, com estes olhos que a terra há de comer.

23 Respostas

  1. Lúcio até que enfim deu as caras. Pensei que tinha sido levado pelos ETs que deixaram os círculos em SC!

    Pelo que sei, arquétipo é algo que está fora de você e dentro de você ao mesmo tempo. São representações do insconsciente coletivo. Um exemplo é a mascara do Darth Vader, um mito que representa algo que está em nós, o ego. Ou deuses cultuados em diversas épocas e culturas como Quetazalcoatl ou Apolo, representando ao meu ver a parte mais elevada da nossa psique, a Si Mesmo.

    Nesse ponto, não vejo muita diferença entre o que você chama de estruturas arquétipas e os arquétipos em si. Entao cadê a falha aí?

  2. Simples: as estruturas arquetípicas estão no cérebro, os arquétipos não estão. O arquétipo-em-si (que Jung chamava de arquétipo psicóide) pertence ao nível fundamental da realidade, além da divisão entre psique e matéria. As estruturas arquetípicas são geradas pelos arquétipos, mas não são os arquétipos.

  3. e porque todos temos comportamentos correspondentes aos arquetipos? todas as pessoas tem as mesmas experiencias e portanto percebem a realidade do mesmo jeito? Ou os arquetipos sao deuses e deusas num desses mundos da kaballah, influenciando e se manifestando atraves da nossa humanidade?????????

  4. Saravá Lamed!

    Primeiramente sua capacidade de síntese está cada vezes mais cirúrgica (a intenção ñ é de massagear o ego XD), ainda que o tema acima já tenha sido amplamente discutido no finado F-A… deixo aqui algumas impressões que tive ao ler o texto:

    1- Na falta de uma maneira mais eficiente de expressarmos idéias (p.e. telepatia), utilizamos a linguagem (verbo) que necessariamente incorre numa assimetria de informação do transmissor para o receptor.

    2- Essas tais estruturas “inatas e universais” residem num nível mais elementar da realidade, já o arquétipo em si não poderia ser abarcado com argumentos, digo, definido, conceitualizado… ou seja aquela velha história da Cadeira e de Deus, na falta de um objeto de estudo ficamos no conhecimento a priori?

    3-ou no máximo a medida que adquirimos experiências com a Vida, começamos a classificar padrões repetitivos, ciclos, períodos, símbolos, numeros… é natural na contemplação a identificação com o objeto, daí muitas vezes agimos interpretando papeis (estruturas arquetípicas), ainda que façamos isso de maneira inconsciente…

    Abs e vê se continua postando!

  5. Epahei, Luiza!

    >e porque todos temos comportamentos correspondentes aos arquetipos?

    Porque os arquétipos são os alicerces sobre os quais a nossa psique é construída. No entanto, os mesmos arquétipos podem ser atualizados de maneira totalmente diferente em contextos culturais, sociais, históricos e pessoais diversos.

    >todas as pessoas tem as mesmas experiencias e portanto percebem a realidade do mesmo jeito?

    Não é bem isso. As estruturas arquetípicas precedem a experiência (qualquer experiência), elas são a precondição, e não o resultado, tanto da experiência quanto da percepção da realidade.

    (De qualquer forma, a nossa percepção da realidade só é “a mesma” em linhas gerais. No detalhe, os túneis de realidade variam loucamente de pessoa para pessoa.)

    >Ou os arquetipos sao deuses e deusas num desses mundos da kaballah, influenciando e se manifestando atraves da nossa humanidade?????????

    É uma maneira (não a única) de descrever a coisa. :-)

  6. Salve, Tiagotroll!

    >Primeiramente sua capacidade de síntese está cada vezes mais cirúrgica (a intenção ñ é de massagear o ego XD), ainda que o tema acima já tenha sido amplamente discutido no finado F-A…

    Valeu pela “capacidade cirúrgica” :-) . Sim, o tema já foi bastante discutido por lá, a idéia era mesmo fazer uma espécie de “síntese didática”.

    Sobre os teus comentários, a gente tem que tomar cuidado (um cuidado que os junguianos nem sempre tomam, daí a confusão) entre arquétipo, estruturas arquetípicas e imagens arquetípicas, que são três coisas bem diferentes.

    Quem reside num nível fundamental da realidade é o arquétipo em si. Ele não pode ser percebido diretamente nem conceitualizado porque os nossos processos cognitivos consistem em classificar os objetos dentro de uma grade formada por categorias, mas o arquétipo em si é anterior a essas categorias e, portanto, não pode ser abarcado por elas.

    Já as estruturas arquetípicas residem no cérebro. Como existem poucos junguianos interessados em neurociências (felizmente, isso tá começando a mudar) e menos ainda neurocientistas interessados em Jung (infelizmente, isso não dá mostras de que vai mudar tão cedo), ainda se sabe muito pouco sobre como os arquétipos geram as estruturas arquetípicas.

    O que se sabe é que elas se manifestam inicialmente sob a forma de esquemas corporais – daí que, dos povos xamânicos aos taoístas, dos antigos gregos ao candomblé, os deuses sempre tenham sido associados a partes do corpo. A psicologia cognitivista tem juntado cada vez mais evidências de que esses esquemas corporais são a base da nossa cognição: inicialmente ligados à experiência corporal concreta, eles são depois transferidos para domínios cada vez mais abstratos, por meio de um deslocamento metafórico, e acabam se transformando em conceitos, que usamos para estruturar todas as nossas experiências e percepções. É esse processo de estruturação, quando um esquema cognitivo é aplicado a uma percepção concreta, que dá origem às imagens arquetípicas.

    Quanto aos papéis que interpretamos, são outra coisa, eles estão mais ligados ao que Jung chamava de persona e consistem na internalização de estereótipos socioculturais. Ao contrário das estruturas arquetípicas, que são internas à psique, os papéis sociais vêm de fora, são impostos pelo processo de socialização. Originalmente, até foram imagens arquetípicas, mas imagens que acabaram sendo tomadas pela consciência coletiva e esvaziadas de sua conexão arquetípica original. São o equivalente sociológico das qlippoth cabalísticas, a casca vazia que sobra quando a energia se dissipou.

    Abs.
    L.

  7. ( bem cetica agora)
    os arquetipos podem ser frutos da selecao natural…rs? Podem ser que os humanos desde os primordios vivenciavam diferentes experiencias e foram sobrevivendo alguns padroes que criavam um comportamento generalizado? Uma estrutura de pensamento coletiva?

    (voltando a mim mesma)
    bom, vamos para a parte pratica entao…rs:

    como fazemos para “aprender” ou “apreender” alguns arquetipos que parecem incompletos?
    ou melhor, como fazemos para amadurecer ou completar a jornada de outros que insistem em se manifestar em seus aspectos pouco elaborados?

    eu sei que a resposta eh auto-conhecimento, eu sei que o “metodo” eh particular a cada ser. Sei que existem muitos sistemas que se baseiam nos arquetipos. Mas existe uma dica secreta?
    Estudar mitologia ajuda?
    Como um Peter Pan se transforma num Ulisses… :) ?

  8. Como Ulisses se transforma no Peter Pan?

  9. Acho que o Ulisses se transforma em Peter quando, após Tróia, a possibilidade de não voltar pra casa por um momento foi real e Peter se transforma em Ulisses (essa é difícil)… Peter Pan nunca voltou da Terra do Nunca.

  10. Epahei, Luiza!

    >os arquetipos podem ser frutos da selecao natural…rs?

    O arquétipo em si (ou arquétipo psicóide), não, porque precede a existência, pertence a um domínio “metafísico”. Mas as estruturas arquetípicas, que são o resultado da interação entre a consciência, o arquétipo e o mundo, quase certamente evoluíram por seleção natural.

    >eu sei que a resposta eh auto-conhecimento, eu sei que o “metodo” eh particular a cada ser. Sei que existem muitos sistemas que se baseiam nos arquetipos. Mas existe uma dica secreta?

    Se existe, eu gostaria de saber. :-)
    A única coisa que eu posso dizer é que, monitorando as respostas do inconsciente, sobretudo através dos sonhos e da imaginação ativa, a gente consegue determinar se a abordagem que a gente escolheu está funcionando ou não.

    >Estudar mitologia ajuda?

    Definitivamente! Mas é interessante se aprofundar em alguma mitologia que tenha uma ressonância pessoal pra você. Pra mim, é a mitologia grega, mas outros podem se sentir mais à vontade com a mitologia iorubá ou com a indiana, egípcia, celta, e por aí vai. O que não falta no mundo são mitos pra todos os gostos e temperamentos. :-)

  11. Btw, por que Peter Pan deveria se transformar em Ulisses? Peter Pan é Dionísio menino, Ulisses é o bisneto de Hermes, precisamos de ambos e de muitos mais, quanto mais deuses, melhor. :-)

  12. >A única coisa que eu posso dizer é que, monitorando as respostas do inconsciente, sobretudo através dos sonhos e da imaginação ativa, a gente consegue determinar se a abordagem que a gente escolheu está funcionando ou não.<

    Ei, eu gostei disso, obrigada. Mas preciso de mais.
    Porque nao sou do tipo que anota sonhos, mas lembro bastante do que sonhei e dispendo tempo relembrando o sonho e tentando interpreta-lo. Quando comeco a ler sobre “interpretacao de sonhos” entao, eh uma beleza, a coisa vem que vem. (E isso pode significar algum bias a meu ver). Mas e dai? Digamos que a interpretacao foi correta.
    O que quer dizer? O que o inconsciente estah dizendo eh a verdade?

    Se tenho um sonho que na minha interpretacao mostra que estou frustrada com meu casamento, mas quando acordada nao percebo assim, quem eh que estah com a razao? E se no sonho se manifestou a malvada Afrodite que tenho dentro de mim? Vou fazer aula de danca do ventre para desenvolver a Afrodite? Ou troco de marido?

    em outras palavras, como saber se o metodo estah funcionando??

    ( queria deixar claro que uso esta forma simplista de apresentar meus questionamentos, alem de ser meu jeito mesmo, eh pra ter o prazer de exercitar a delicadeza e a sutileza do Lucio ao responder…rs. Obrigada, Lucio e aos Peter Pans e Ulisses de plantao tambem…rs)

  13. by the way rapazes, vcs tem razao, ato falho. Nao tem porque Peter Pan virar Ulisses…A pergunte era sobre o desenvolvimento do mito ou do arquetipo.

    brincar com o Peter Pan eh uma delicia,

    querer brincar com o Ulisses nem dah, porque ele estah sempre ausente, mas esperar por ele chegar eh uma bencao.

    e como estou mais para Penelope do que para Wendy, estah tudo explicado…rs

  14. >e como estou mais para Penelope do que para Wendy, estah tudo explicado…rs

    Vcs já leram “Lost Girls” do Alan Moore? A idéia que vcs tem da Wendy pode mudar…

    }:-D

  15. Salve, nobre Lúcio,

    >Mas qualquer tradução das estruturas cognitivas fundamentais sob uma forma narrativa pode ser considerada um mito.

    Realmente a experiência, principalmente as brincadeiras lúdicas com I. Ativa e sonhos lúcidos, mostra que há uma polpa macia da realidade que se constitui de histórias, lendas, narrativas, etc.

    Uma das mais bonitas práticas de alguns povos aborígenes é a contação de histórias em que há o compartilhamento e a vivência da mitologia e das lendas da comunidade.

    Nós perdemos em algum momento esta capacidade de viver o mito como presença viva e fundamental nas nossas vidas, não sabemos mais que uma história tem pelo menos tanta realidade e vida quanto nosso senso de Eu.

    Eu gosto muito de um momento do Jung quando ele fala em experimentar o próprio mito individual, acho que no Memórias, Sonhos e Reflexões.

    Mito individual que transcende o individual, diga-se. Porque imho o papel da história, da narrativa mítica (arquetípica), é justamente liberar da carga de literalidade escravizante a consciência… Narrativa tambem e’ consciencia, tamb’em e’ “auto-consciencia”.

    E esta constatacao eh extasiante para nos que somos ou queremos ser escritores ou trabalhar com o texto como forma de experimentacao da consciencia.

    Vida eh cornucopia infinita, para onde vc olha ha’ vida, vida animal, vida vegetal, vida humana, vida textual, vida sobre-humana, vida infernal, vida paradisisca, vida, sempre vida…. porque para onde vc olha, onde vc sente, em todo lugar a vida esta superando a si propria.

    Evolucao nao se faz somente em milhoes de anos, faz-se tambem nos milesimos de segundo.

    ab.

  16. >Estudar mitologia ajuda?

    >>Definitivamente! Mas é interessante se aprofundar em alguma mitologia que tenha uma ressonância pessoal pra você.

    Certa vez perguntaram pro estudioso de mitos Joseph Campbell qual era a “yoga” dele, ou seja, o que ele fazia para se por em contato, ele respondeu: “sublinho frases”.

    Eh que o estudo dos mitos tem uma atmosfera particularmente envolvente, sexy mesmo, empolgante e da para se sentir “em contato” com a mera leitura.

  17. Parabéns pelo blog. Pela afinidade de temas, convidamos para uma visita ao http://cogitamundo.wordpress.com .

  18. É possível uma analogia ou paralelo entre símbolo (enquanto valor evocativo, mágico ou místico num contexto cultural) e mito? Ou então, o quanto de símbolo contém um mito?

    hummm…ou será q preciso amadurecer mais minhas dúvidas antes de ousar escrevê-las?…rs… :/

  19. eu queria dizer que nao precisa de nenhuma erudicao pra escrever aqui, e ousadia tambem eh algo muito bem vindo :)

    por outro lado nao entendi se vc quer saber uma resposta usando a linguagem junguiana ou se prefere tentar entender quanto a agua do mar tem de Yemanjah, ou quanto de Jesus hah num crucifixo, ou se nao eh nada disso.

    Bem-vindo
    Luiza

  20. Olá Luramos :)

    Bem, creio que a linguagem junguiana seria um excelente ’start’! Se bem que esta questão entre Jesus e o crucifixo parece-me tb muito adequada à questão.
    Mas o q for possível apresentar, para mim será de grande valia. :) )

    abs e obrigado pela atenção! :) )

  21. Luramos,

    Tvz minha dúvida seja melhor expressa da seguinte forma:
    O mito pode ser considerado um símbolo de um conhecimento (profundo ou oculto, tvz)?
    Tentando exemplificar: No mito do pecado original, Eva é atraída pela serpente, dando a Adão o fruto da vida (…)
    Neste ‘pequeno trecho’, por exemplo, a ’serpente’ seria simplesmente parte do mito, ou um símbolo de alguma ideia/conhecimento expresso de forma ‘oculta’, por assim dizer.

    Obrigado/abs

  22. Bob

    O mito pertence a uma dimensao pre-palavra ou supra-palavra. Por isso eh dificil discutir mito.
    Mas como teimosia eh uma virtude a ser perseguida…

    Basicamente, mitos sao estorias que os homens criam e contam.
    Assim, como voce disse, o mito pode sim ser considerado um referencia a algo inominavel, escondido que mora em algum lugar dentro do homem (vide texto acima) .
    Quanto aa sua pergunta sobre a serpente, eu nao acho que um elemento do mito possa ser dissecado e interpretado aa parte. Seria como recortar um pedaco de um quadro ou selecionar palavras em um poema. O mito eh um todo e nao soma de partes.
    E ninguem no planeta tem mais propriedade para interpretar um mito pra voce do que voce proprio.
    Interpretacoes serao sempre contaminadas com teorias, e teorias sao tapa-olhos que os homens colocam em si proprios.
    A melhor coisa a fazer quando uma estoria te “incomoda”, ou seja te faz ter a impressao de que voce nao extraiu todo o conteudo que aquela historia tinha pra transmitir, eh ficar um pouco quieto com a historia. Feche o olho, reconte a historia para si mesmo outra vez, desenhe a historia, musique a historia, sinta a historia…e se nem assim voce conseguir transformar a historia em mais conceitos e palavras (que eh isso que a gente tenta fazer a maior parte do tempo), isso eh na verdade bom, porque a historia vai ficar germinando dentro de voce e no futuro vai nascer um filho seu e dela na sua vida.

    Eu por exemplo, e imagino que voce tambem, sempre fui e ainda sou “incomodado” pela historia de Adao e Eva. Ateh que um dia tive um insight (um pouco antes de pegar no sono, deitado na cama), e “entendi” a mensagem que essa historia tinha pra me dizer.

    Depois de comer o fruto da arvore do conhecimento, o homem conheceu a propria morte, se soube finito ( esse era o conhecimento escondido nesta arvore). E isso natural e obrigatoriamente o privou do fruto da arvore da vida. O fruto da arvore da vida era a inconsiencia da propria finitude, ou a ilusao da vida eterna. (ilusao essa que todos nos, na pratica, temos ateh hoje).
    Quando o macaco inteligente descobriu que sua estada por aqui nao era para sempre, o pavor foi tao grande que ele comecou a inventar outros mundos de coisas e estorias para poder viver neles..e ai veio ferramenta, roda, lanca, escrita, deus, diabo…e eis- nos aqui… escrevendo blogs.

    Paulo

  23. KingMob

    A cultura nasceu do medo. Mas o que veio depois nao eh homogeneo.
    Enquanto Prometeu entrou escondido no ceu, roubou o fogo para os homens e estah ateh hoje sendo punido(com muito orgulho, segundo Goethe, vide http://www.cnbc.cmu.edu/~noelle/fun/prometheus.html) em alguma colina do Caucaso, Adao baixou a cabeca, resignou-se e criou uma familia de delinquentes fratricidas. E nao fosse Jesus pra tirar ele do inferno entre a crucificacao e a ascencao, lah estaria ele queimando ateh hoje.
    O mesmo serve pra nos.
    Voce pode baixar a cabeca e seguir o caminho de Adao ou voce pode recusar-se a sentar no trono de um apartamento, com a boca escancarada cheia de dentes esperando a morte chegar, e organizar uma expedicao ao Caucaso pra resgatar Prometeu.
    Voce escolhe o que faz com seu medo.

    Paulo
    aqui a traducao do poema em portugues:
    http://www.vermelho.org.br/base.asp?texto=12167

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