Escute Riobaldo (Grande Sertão – Veredas, Guimarães Rosa), e depois, se quiser compartilhar, deixe aqui sua opinião. Para mim, fala sobre o conflito que nos causa a consciência da Grande Obra (a que viemos neste mundo). Sabemos que existe (?), mas nao sabemos o que é (?). Clique no link abaixo e aumente o volume:
http://www.myplick.com/view/9v6wqfDr33w/ouca-aqui
A fala dura dois minutos e meio.
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Para você, sobre o que Riobaldo está falando?
Leitura e música de Paulo Campregher, the Beloved.
Arquivado em: Hermetismo
Eu não consegui ouvir ainda…
=D
Grande Sertão é uma obra máxima da literatura mundial, uma escultura da língua portuguesa falada no Brasil, a gente não se dá conta da grandeza do Guimarães Rosa.
Mais do que isso, Guimarães Rosa era um estudioso do hermetismo, que empregava o simbolismo esotérico em suas obras com o propósito declarado de provocar um satori no leitor. Isso o coloca na mesma categoria de gente como Dante, Shakespeare, Joyce, Fernando Pessoa e, mais recentemente, Thomas Pynchon.
Curiosamente, como no caso desses autores, esse aspecto central na obra do Guimarães é ignorado solenemente pelos críticos (com uma única exceção: Heloísa Araújo, que tem dois bons livros sobre o tema), apesar do Guimarães Rosa falar dele explicitamente nos prefácios de Tutaméia…
Abs.
L.
Agora sim!!
Riobaldo é o ladrão que vemos no filme Krull. É nós mesmos, mas na versão de agora, não o transcendido. É o homem comum, o que se desintegrará de volta ao pó, para renascer no áureo amanhecer.
Já sabia desse aspecto da obra de Guimarães Rosa, mas acho que isso surgiu com o Grande Sertão – Veredas.
Não vejo registro de esoterismo ( ou nao percebi) em Sagarana, por exemplo.
Gostei da parte da alma que se vende só, que o Diabo não existe. Quantos significados…
Filipe, no Sagarana pode não ser tão explícito, mas as Primeiras Estórias estão repletas de simbolismo.
Pois é, Fernando. Até porque, no romance, o fato do diabo não existir não o impede de aparecer. Ou não.:-)
Lu, o Riobaldo virou meu amigão.
Já ouvi uma 10 vzs; e cada vez ele me diz e me alerta p/ um lance diferente e precioso: o “quanto” agente precisa decidir, o que tem significado e o que não tem. Na brigaria e na confusão do dia-a-dia, não há lugar para o “ateísmo”. Não existe o “não venerar”. O não-vender a alma. A única opção que temos é decidir pra que Deus. E o motivo para escolhermos algum tipo de Deus ou Demônio, ou algum conjunto inviolável de princípios éticos – é: que todo objeto de veneração ou comprador de almas te engolirá vivo. Quem venerar o dinheiro e extrair dos bens materiais o sentido de sua vida nunca achará que tem o suficiente. Aquele que venerar seu próprio corpo e beleza, e o fato de ser sexy, sempre se sentirá feio – e quando o tempo e a idade começarem a se manifestar, morrerá um milhão de mortes antes de ser efetivamente enterrado. Ao venerar o poder, você se sentirá fraco e amedrontado, e precisará de ainda mais poder sobre os outros para afastar o medo. Venerando o intelecto, sendo visto como inteligente, acabará se sentindo burro, um farsante na iminência de ser desmascarado. E assim por diante. O perigoso dessas formas de veneração não está em serem perigosas – e sim em serem inconscientes. Você vai se acomodando quase que por gravidade, dia após dia. Você se torna mais seletivo em relação ao que quer ver, ao que valorizar, vc vai se “vendendo” sem ter plena consciência de que está fazendo uma escolha. O mundo jamais nos desencorajará de operar na configuração padrão: “uma parte q já foi inventada “antes do papel”, porque o mundo dos homens, do dinheiro e do poder marcha alimentado pelo medo, pelo desprezo e pela veneração que cada um faz de si mesmo. E acabamos nos vendendo pra uma impressão de conforto e liberdade pessoal. E meio confusos, à princípio meio q alegres com os lucros da venda, vamos percebendo com o tempo, que ela nos nos deu a liberdade de sermos senhores de minúsculosinhos reinados individuais, do tamanho de nossas caveiras, onde reinamos sozinhos. Esse tipo de liberdade tem méritos. Mas existem outros tipos de liberdade: vale a pena estudar melhor as “ofertas”.
Adorei o Riobaldo!
Bjs
Neste endereço tem um excelente comentário sobre Tutameia e Guimarães.
http://www.portrasdasletras.com.br/pdtl2/sub.php?op=resumos/docs/tutameia
Uma obs: qdo li o texto do Riobaldo, me lembrei de um discurso de paraninfo do David Wallace em uma faculdade americana. Ele se suicidou, o mês passado, apesar de ter discursado sobre estes alertas q mencionei em meu coment; e isto me fez prestar mais atenção ainda no Riobaldo.
Fy
Voce tem um link ou um arquivo do discurso do David Wallace?
Obrigado.
Paulo